quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O copo vermelho menino branco de neve; BH, 0140702014.

O copo vermelho vazio,
Com a colher dentro,
Olha-me de lá,
A esperar o sorvete do menino,
Que não veio;
Nem o sorvete
E nem o menino;
O menino é branco de neve,
Ficou a tossir no quarto escuro,
Onde batalha com as paredes das trevas
E com as paredes de tijolos;
Permanece a janela fechada,
A porta encostada,
Uma música toca num rádio na sala;
O branco de neve torna a tossir seco em cima da cama;
Penso em todos os poetas que nunca pensaram em mim,
Em todas as poesias que nunca me procuraram;
E sem saber,
Sei que todos os poetas fizeram poemas para mim,
Pensaram em mim;
E todas as poesias pensaram em mim
E não consigo sorrir;
E não me movo
E tudo que me move á a pena imóvel,
Que desliza no papel;
As letras pingam coaguladas,
As palavras fixam-se como manchas de sangue velho;
E em pouco tempo tudo se envelhece,
Como se fosse algo inorgânico, anti neurológico;
E por um tempo esqueço do copo vermelho vazio
Com a colher dentro,
Do sorvete esperado
E do menino branco de neve no seu esquecimento.

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