segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 11; BH, 0130802012.

Meus inimigos moram todos dentro de mim, nas
Minhas moradas, são meus hóspedes e não
Pagam aluguel; meus inquilinos são
Meus adversários, perturbam meu sono,
Não me deixam sonhar e causam-me
Mil pesadelos; em cada caos que me
Habita, há um universo em colisão,
Mundo em tempestade e não são
Simpáticos a mim; quando os olho,
Fazem caretas, negaças, moleques,
Pregam-me peças; não os domino, como
Se estivesse de muito longe, tão aqui
Perto do lado de dentro; não os controlo,
Personagens inquietos, irritantes coadjuvantes,
Protagonizam cenas de filmes de terror,
De obras de horror, de literaturas que
Não deixarão antologias de herança;
Meus condôminos inadimplentes causam-me
Débito e crise; meus inimigos, juntos comigo,
Escravizam-me e fazem o que querem;
Não há escapatória, não há
Alternativa, tenho que hospedá-los em
Minha hospedaria; e são muitos e exigentes,
E se alimentam e bebem, sorvem-se
Da minha alma; sugam o meu espírito,
E o meu ser míngua e me torno todo
Em pele e osso; e passo pelos anos esqueleto
Enigmático, anônimo, irreconhecível;
Entro em casas, casas de cupins, picumãs
E teias de aranhas; revolto-me com
Eles e os expulso, resistem, rebelam-se,
Mas, ao primeiro raio de sol, até os
Que não corriam da cruz e os que
Não afugentavam-se com alho,
Disparam-se desesperados pelas estradas.

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