quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Só sonho em escrever obras de arte; BH, 0901202012.

Só sonho em escrever obras de arte,
Não consigo;
Sonho em escrever obras-primas,
Infrutífero;
Acordo para os pesadelos da realidade
E parto para o parto destes garranchos,
Nesta parca folha de papel,
Sem sucesso;
Teimo em voltar às cavernas
E escrever nas paredes delas,
As escritas rupestres,
Com alguma esperança,
De algum pesquisador de escritos antigos,
Atinja as cavernas onde os escritos
Estão esquecidos nas paredes,
Ledo engano;
O que penso escrever então,
Nesta pré-história em que vivo,
Se a literatura não faz mais sentido?
E persisto nestas escrituras fossilizadas,
Que nunca serão lidas;
E teimo nestes escritos toscos,
Que não impedirão o suicídio da humanidade;
Mas, enquanto não arranjar uma lápide,
Para a cabeça parar de latejar,
A saída é esta sangria,
Como se fazia antigamente,
Para o paciente não morrer;
E molho a pena do meu osso no meu sangue
E na minha pele desidratada,
Minha obra é registrada;
Se será clássica, erudita,
Nem o tempo poderá dizer,
Pois até ser encontrada,
O tempo não existirá mais
E sem o tempo não há razão de viver.

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