domingo, 23 de novembro de 2014

Alameda das Princesas, 756, 6; BH, 0110802012.

Minha mente não revela retratos, não entorta
Garfos e colheres e nem conserta relógios;
Minha mente não coloca motores para
Funcionar, não faz chover e nem abre
Portas; minha mente não resolve problemas,
Equações, funções e nem desvenda conjecturas;
Não é uma mente brilhante, de gênio,
Cheia de ideias; minha mente é um
Terreno baldio, um depósito de ferro-velho,
Um monturo de entulho; e o que mais
Aborrece-me, é que é uma mente
Que não se fixa aqui, é uma mente
Vagabunda, vadia, vive de vadiagem
E de vagabundagem de universo em
Universo; passeia de ventos em ventos,
De nuvens em nuvens e de horizontes
Em horizontes; gosta de ver de perto
As tempestades solares e os alinhamentos
Dos planetas; vive de infinito em
Infinito a visitar posteridades,
Eternidades e imortalidades; teima
Em ser uma mente perpétua, conhece
Todos os mundos e submundos e frequenta
Subterrâneos, abismos, crateras
Profundas onde escondem-se as sombras
E as penumbras; minha mente é assim:
Números não é com ela, gosta é de recordações,
Lembranças, memórias, pré-histórias, passados,
Épocas, eras, tempos e detesta religiões;
Minha mente é uma mente que não a
Conheço, não se deixa conhecer, não
Deixa vestígios e nem marcas; ninguém
A conhece, ou a entende; despreza
Todos os poderes e todas as potências e se
Maravilha com as forças que a atraem.

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