domingo, 24 de abril de 2022

há uma ave que rompe o próprio peito

há uma ave que rompe o próprio peito
para dar de comer às suas criaturas
tal qual essa ave deve ser um poeta
ao romper o próprio peito ao dilacerar
o coração em busca da letra perfeita
que gera a palavra perfeita juntas
chegam à perfeição que é a meta que
almeja a humanidade o poeta abre as
próprias veias numa hemorragia que
mata a sede de sangue da raça humana
ou que rega os terrenos inóspitos do ser
humano o poeta é desse triunvirato o
poeta é esse cinturão dum centurião o
cetro dum rei dom ou a espada dum
scaramouche mascarado a combater os
seres macabros o ódio do fascista que
se alimenta do fascismo nessa guerra
o poeta é imprescindível com seu
coração inabalável seu espírito reto
tem lâmpadas nos pés seus caminhos
são iluminados tem asas na imaginação
para derrotar o conservadorismo os
preconceitos a imperfeição o
obscurantismo dos corações empedrados
das mentes chumbadas dos cérebros
opacos dos cérberos da sociedade
mesquinha desigual que mata de fome o
semelhante que mata de ódio o adversário
que mata de sede o igual que mata o
pobre como se fosse diversão compartilhada

BH, 02501102019; Publicado BH, 0240402022

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