terça-feira, 26 de abril de 2022

sinto as horas passar o tempo encurtar

sinto as horas passar o tempo encurtar
fui pelo vento caí em perigo só me
resta lamentar meus sofrimentos pelos
caminhos choro pelas pedras perdidas
pelas nuvens solitárias as raízes à
mostra que ficam ressequidas pela
inclemência do sol corro com a minha
gota d'água na mão atrás do fogo a
subir a chapada com a velocidade da
luz a terra esturricada me machuca
os pés estorvados a cinza ainda
quente dilacera as solas quando piso
o chão enfumaçado tropeço nos seres
da natureza que agora são torrões de
carvões aquecidos brasas ainda
fumegantes ou tições em fumo
fumacentos nada mais posso fazer
lacrimejo lágrimas secas dos meus
olhos desérticos a minh'alma árida
busca refúgio refrigeração em meu
espírito atormentado no espinhaço
não encontramos justificativas para
os que atiçam chamas contra a
natureza numa violência nunca vista
se não nos amamos nem nos
respeitamos uns aos outros como
teremos amor respeito pelo nosso
sistema ambiental a nossa
biodiversidade dos quais tanto nos
dependemos para a nossa própria
existência? será que seremos tanto
irracionais para todo o sempre? 

BH, 0201202019; Publicado: BH, 0260402022

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