terça-feira, 26 de abril de 2022

nada vem amenizar a minha dor

nada vem amenizar a minha dor
é uma dor de quem não tem
amor nada vem trazer lenitivo
ao meu coração é um coração
de quem não tem razão aí então
canto uma canção para derrubar
as muralhas das minhas retinas
é apenas uma ilusão já que não
tenho nenhum poder à não as
pedreiras que sustento às costas
não vêm ao chão nem com
dinamites quando derrubo um
simples muro surgem infinitos
donde não sei não deixo sangrar
a seiva deixo a hemorragia das
sementes nas areias quentes
as flores não brotam onde piso
as águas não matam minha
sede me afogo nos pântanos
movediços dos meus pesadelos
esquizofrênicos das minhas
sensações psicopáticas dos
meus comportamentos
neuróticos das minhas psicoses
cotidianas complexos paranoicos
não tenho um único sonho que
poderia ser chamado de meu
não tenho uma única percepção
ou intuição ou talvez um dom que
formassem uma bula ou receita
com soluções de curas para estas
doenças crônicas que são só
curvas que fazem chorar ou que
matam a lucidez na fonte de fome
oh naus que nunca tive oh
caravelas que singram mares
bravios oh marinheiro destemido
que nunca fui oh oceanos trevosos
que o meu medo insano nunca me
deixou navegar.

BH, 0201202019; Publicado: BH, 0260402022. 

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