sábado, 7 de fevereiro de 2015

Engendrei uma penumbra e engravidou; BH, 01901202012.

Engendrei uma penumbra e engravidou
E nasceu minha sombra, amarrada a
Mim, filha e irmã; e não larga dos
Meus calcanhares, enquanto diminuto,
Agiganta-se à minha frente, hora
Titânica, hora vulcânica, montanhosa,
Sempre a relegar-me à minha
Insignificância; se há algo que sabe
Nos diminuir e nos desprezar, é a
Nossa sombra; penso que, pelo menos
A minha seja assim, independente, com
Vida própria, ousada, audaciosa, entra
Em qualquer beco e viela, sem tremer,
Enquanto tremo nos tamancos; e não
Ensina-me nada, não me passa seus
Segredos e nem me segreda seus
Mistérios; se soubesse, não teria
Parido ser tão rebelde, que só me
Causa transtornos e apaga-me
Completamente; silhueta ao se
Engrandecer sempre mais do que eu,
Simulacro, que sempre perco a
Disputa travada pela sobrevivência;
Arrogante, nada humilde, soberba,
Fingida e dissimulada, pior do que
Capitu; e sou escravo desta sombra,
Sou pai, sou mãe, sou irmão gêmeo
E não me registra nenhuma consideração;
O jeito é a liberdade e cortar a força de
Gravidade, que nos une e deixá-la
Morrer órfã; e a partir daí, será um alívio,
Ao não vê-la mais refletida no muro, a fazer
Caretas e a zombar-me inconvenientemente.

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