terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Quando as pedras morrerem r morrerem as pedreiras; BH, 01901202012.

Quando as pedras morrerem e morrerem as pedreiras,
As rochas e os rochedos, os morros e as montanhas,
As pradarias terão mais motivos para chorarem; quando
Nas falésias, os ventos deixarem de apostar corridas e
Nas chapadas e nos paredões os rostos dos gigantes
Não estiverem mais estampados, os cânions ecoarão os
Ecos lançados das gargantas dos abismos dos fósseis
Esquecidos; quando morrerem os mares dos oceanos,
As crianças não brincarão mais nas prais e as areias
Serão pontos cristalizados; quando o sol morrer e
Com ele a lua, será o pior dos nossos velórios, viraremos
Ébanos e as nossas sombras não poderão mais ser
Reencarnadas; viraremos assombrações, mas não
Daquelas que assombram as crianças; viraremos
Assombrações nas nossas sombras e não teremos
Mais sombras a nos assombrar, nossas sombras
Morrerão conosco; e quando, num acaso, encontrarem
Os esqueletos dos loucos que foram abandonados,
Os estudiosos dirão: são antigos faraós, sacerdotes,
Reis, em suas câmaras mortuárias, em seus sarcófagos
E urnas fúnebres; não saberão que os esqueletos
Encontrados são apenas nossos loucos que esquecemos
Nos hospícios, quando o tempo morreu e não tivemos
Tempo de viver loucamente.

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