quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Peregrino caminhaste só e solitário; BH, 0501202013.

Peregrino caminhaste só e solitário,
A sós? o que importa-me existir?
E existir para que? quisera eu,
Pobre diabo, capeta sem inferno,
Existir pelo menos no nada; quisera
Eu, ó mortais sem nada, mortais
Que têm tudo e não têm um vento;
Não têm um sol, um céu, ou pelo
Menos uma nuvem; quisera poder
Ter poder, mortais sem morte, ter
Um monte, um outeiro, uma
Montanha e poder dizer; e o que
Pode dizer um mortal mudo? o
Que pode dizer um mortal que
Nem a morte quer? e quem é que
Quer alguma coisa a não ser a
Morte? e se a morte não quiser
Nem a morte, o que será daquele,
Que nem a morte tem para barganhar?
Oferecerá o que à eternidade? que
Resposta dará ao infinito? ficarei
Aqui, sem grito no silêncio, a
Propagar estas reminiscências da
Morte; fincarei aqui, pois não
Agradei ao escriba secular, não
Serei o que receberá as mensagens
Psicografadas dos fantasmas que
Refugiam-se no limbo; fantoches de
Fantasmas que manipulam a felicidade.

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