sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Patagônia, 927, 33; Meia-noite; BH, 040102012.

Meia-noite,
Estou à espera dalgum fantasma,
Algum espírito, algum deus;
Meia-noite,
Mas que nada, nem deuses, nem
Espíritos, nem fantasmas, nada;
A única assombração que teima
Em latejar aqui, sou eu;
A única sombra que cisma em
Rastejar nos lajedos latejantes,
Sou eu;
O único simulacro que reverbera
Em silhuetas nas paredes escuras
Dos edifícios que se escondem nas
Trevas, sou eu;
Cansado, estou só, sozinho, no
Enfado e no tédio;
As outras ramificações de mim,
Bateram as portas do meu coração,
Pelo lado de dentro e não há
Nada em em mim, que me faça
Lembrar, que sou alguma coisa;
Procurei a todos que me possuíam
E abandonaram meu cadáver na
Encruzilhada, como se fosse um
Despacho para macumba de
Encomendação;
Que novidades apresento nas
Pegadas que deixo no papiro, ou
No papel, ou no pergaminho escuro?
Antes que os montes nascessem
E se formassem a terra e o mundo,
As novidades já eram antigas, mais
Do que imagina a nossa vã filosofia;
Enquanto dirigem carros a trezentos
Quilômetros por hora e guiam
Máquinas voadoras, galopo pensamentos
À velocidade da luz;
E num piscar de olhos, visito todos
Os universos passados, presentes e
Vindouros;
E não encontro deuses, fantasmas,
Ou espíritos;
Sozinho e só eu a sós solitário e ermo.

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