sábado, 22 de fevereiro de 2014

Rio Grande do Norte, 916, 40; A minha poesia sacia; BH, 080702012.

A minha poesia sacia e sou insaciável,
É álcool e tenho sede extrema, eterna;
Bebo e embriago-me e ébrio copulo
Com a minha poesia; estupro-a, sodomizo-a,
É ácido e cocaína e sexo e madrugada;
A minha poesia é uma puta do mais
Baixo meretrício, é uma negra
Escrava, abortada inda menina,
Da aldeia mais longínqua da
África e na tenra idade, violentada,
Por senhores de engenho e capatazes
De fazendas de café; e é a mulher,
Que leva socos na cara e porradas
Pelo rosto e olhos, todo santo dia,
Do marido brutal, animal, boçal;
E é a mulher, que quando não é
Assassinada, é humilhada com encargos
E tarefas abomináveis e estúpidas; a
Minha poesia é bizarra, mórbida, tísica,
Fúnebre; sem arte, sem dom, sem deus,
Sem anjos, santos e santas, poesia de
Ateu; sedenta por carne, todo tipo de
Carne: crua, fresca, viva, morta, carne
Fisiológica e sobrenatural; é poesia
Macabra, despacho de encruzilhada,
Bode preto para sacrifício e galinha
Preta com farofa de azeite de dendê;
A minha poesia é rudo aquilo que não se vê.

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