não estou a fazer nada então para que esta angústia
então para que esta ansiedade então para que esta
agonia se tenho a noite a madrugada o dia à
disposição dos poemas que geram a minha poesia
atrás de mim um passado a se perder de vista à
minha frente uma linha do horizonte a ser transposta
um infinito à minha espera à esperança então para
que este grito a estar aflito grifo então para que
desespero tormento se nem tudo é dinheiro para
quem a eternidade é a meta a posteridade é o norte
a imortalidade é o caminho glifo então coração
cessa a disritmia para a taquicardia a vida é picardia
a morte ironia para quem esnobou o aquém almeja
o além a imaginação a meditação a criatividade a
percepção a intuição a geração a criação a evolução
nunca o retrocesso ou o acesso ao obscurantismo
obsceno ou o abcesso do mesmismo ou o tumor do
conservadorismo então para que tanta pressa para
quem não vai morrer ou só vai morrer o físico ou só
a carne pois os ossos continuarão aqui aí cá lá acolá
com a nossa história registrada no nosso esqueleto
com a nossa caveira a sorrir eternamente de felicidade
então para que tanta aglomeração de gordura tantã
envolta do coração com entupimento das veias
obstrução do fígado paralisação dos rins então para
que dar ouvidos às reminiscências da morte?
BH, 090402020; Publicado: BH, 0250502022.
Nenhum comentário:
Postar um comentário