segunda-feira, 9 de maio de 2022

o passado é uma âncora amarrada nos pés

o passado é uma âncora amarrada nos pés
uma bigorna presa no pescoço uma pedra
na consciência uma pedreira nas costas o
passado é um cavalo selvagem veloz
sempre em atropelos aos nossos
calcanhares o abrir de fendas de abismos
nos rochedos valas de enxurradas nas
pradarias avalanches de rochas rolantes
nas falésias o passado é um cão raivoso
de três fauces a morder nossa nuca a
espinicar nosso cérebro a dilacerar nossa
garganta os amadores não mandam mais
o passado de volta aos seus teores nem
sabem aprisionar em caixotes invioláveis
as reverberações nefastas ou as
trepidações nocivas que o passado nos
traz com tremuras em nossas gélidas
mãos falta de ar frios na barriga nuvens
de nebulosidades nos intestinos quando
o passado é um mau passado não há
nada que o faça enterrar ou o esconder
ou o tentar vencê-lo ou a um passe de
mágica o fazer desaparecer de repente
como um bom passado desaparece
de nossa frente nem perturba a nossa
mente não se fala em cura ou em
remédio para um caso dum mal
passado que sabe ressuscitar todos
os dias como um lázaro assombroso a
nos meter terrificações a nos fazer
sentir tenebrosos com as memórias
as lembranças as recordações que
tentamos enterrar sem sucesso

BH, 050202020; Publicado: BH, 090502022

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