sexta-feira, 13 de maio de 2022

ainda bem que tenho a válvula de escape

ainda bem que tenho a válvula de escape
a saída de emergência que são estes dons
de dominar está caneta revolta esta pena
rebelde que saem aleatoriamente a regurgitar
letras palavras indefinidas que nunca serão
lidas nem terão menções ao prêmio nobel
de literatura mesmo assim ai de mim
vanglorio estes dons que estão em mim que
são uns dons de escritas sacrificantes que
teimam em vão como um manufaturador
anão sacripanta ou um padeiro com a massa
nas mãos dá forma ao pão são uns dons de
gentes antigas que não existem mais tais
antepassados ancestrais que resistem em
mim sem nem mesmo saber porque deixo
levar-me letra por letra palavra por palavra
a lavrar expressões idiomáticas a definir o
que as línguas irão falar ou o que os olhos
irão ler sei como essa mosca que
perturbar-me aqui agora que não ganharei
nada com isso que nada deixarei aos filhos
aos descendentes infelizmente é a única
coisa que sei fazer bem ou mal mas mais
mal do que bem nada mais quero a não
ser isso a assinar esse escrito roto mas
que pertence a este devoto escravo cativo
que escreve noite dia sem parar que não
tem nem tempo para ler tudo que já escreveu
durante toda a vida da criação do universo 
se pode chamar de vida quem escreve verso

BH, 0230202020; Publicado: BH, 0130502022

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