quarta-feira, 25 de maio de 2022

para onde vou olhar com estes olhos que não são os meus

para onde vou olhar com estes olhos que não são os meus
cadê os meus olhos que estavam aqui qual gato que os comeu?
quero os meus olhos de volta mesmos cegos não me importa
são cegos mas eram meus os olhos que tenho agora não são
os olhos com os quais via outrora olho com olhos de defunto
desconhecido vejo tudo entrevecido a luz parece opaca um
manto de ébano os vultos silhuetas de carvões de carvalhos
que algum menino preto de rua preta rabiscou no muro preto
correu da polícia que mata pretos antes de ser assassinado
ali mesmo na esquina o polícia ser aplaudido pelo povo que
tem sede de sangue infantil preto alguém viu um par de olhos
cegos que vagava perdido no caos urbano a procurar uma
imagem real perfeita sublime suprema a que via era só de
monstros que metiam medo em criancinhas eram monstros
que já haviam sido banidos dos sonhos pesadelos dos
menininhos das menininhas em suas historinhas pueris que
agora voltavam como nos velhos tempos de horrores terrores
de dissabores de temores poucos são os salvadores desses
órfãos dessas órfãs em orfanatos abandonados aos monturos
murundus os bois das caras pretas ainda metem medos nos
olhos de olhares assustados que anseiam por bonança
quando se abrem estão no olho do furacão

BH,090402020; Publicado BH, 0250502022.

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