quinta-feira, 26 de maio de 2022

antigamente era mais fácil a vida era mais livre

Antigamente era mais fácil a vida era mais livre
leve pegava-se uma pena saia a voar como se
tivesse asas pegava-se uma canoa navegava-se
como se estivesse num transatlântico em alto
mar antigamente a morte não era tão constante
lá que de vez em quando morria-se um ou outro
antigamente andava-se de pés descalços camisa
aberta calções rústicos não havia stress a raiva
era pouca ou quase nada ou nenhuma o ódio
também era pouco tal qual a ira a cólera a
maldade andava sumida com a ruindade
escondida antigamente eram só católicos
crentes não haviam fundamentalismos nem
tantas corridas de pastores atrás de cifras dos
cifrões malditos das moedas podres com as
quais jesus cristo foi comprado pelo judas traído
hoje sem os reverendos os pastores eletrônicos
almejam o que antigamente era pura ojeriza a
associação entre bancos igrejas não aceitava-se
assim tão facilmente tamanha heresia que não
envergonha a mais ninguém como antigamente
bebia-se água de rio de riacho de regato de
córrego aguardente forte da boa não álcool
desdobrado comia-se biscoito de goma assado
na brasa pelas pretas farinhas de milho de
mandioca de fubá agora velho alquebrado
maltrapilho maltratado largado no meu canto
com os meus vis desencantos esquecido pelos
vivos pelos mortos acabo de morrer ao divagar
nas coisas de antigamente das quais não sinto
nem os gostos mais só os desgostos no amargor
da minha boca fétida mal lavada de velho molambo

BH, 090402020; Publicado BH, 0260502022

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