segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Marinheiro quer do porto partir; BH, 040802013.

Marinheiro quer do porto partir, 
E ao chegar a um um porto, já chega 
De partida; e o que marinheiro quer? 
Velas ao vento, quilhas ao mar; corações
Despedaçados tatuados na carne,
Âncoras levantadas; e sempre a procurar
Uma trilha nova à flor d'água;
Descobrir uma terra enterrada, um
Continente submerso, uma cidade
De vento, um país encantado; gritar
Loucamente ao avistar a vista, e
Transpor a linha do horizonte, e cobiçar
As linhas paralelas; e ninguém sabe
O que marinheiro quer, é um segredo
Entre ele e o mar; é um mistério
Que as ondas vêm vomitar às praias, é um
Dilema que a maresia não deixa
Desvendar; e só ele decifra o canto
Da sereia de ouvidos abertos, e quem
Se encanta é a sereia, com o feitiço
Do marinheiro; e o barco ligeiro, a
Nau voadora, o navio guerreiro, e
O dono de tudo é marinheiro;
Senhor do mar, domador de correntezas,
Conhece cada onda, como as palmas
Das suas mãos; e sabe de cor, cada dobra
Do mar, cada prega do vento, e só falta
Caminhar sobre as águas; e quando não
Está no mar, o mar canta triste, gosta tanto
Do marinheiro, que se abre, para marinheiro
Passar, e depositar o coração, no quebra-mar.

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