quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Tenho certeza de que bilhões de mentes; BH, 0100202000.

Tenho certeza de que dos bilhões de mentes 
Que já existiram na Terra, desde que a Terra é Terra,
Até os bilhões de mentes que existem hoje, não existe
Uma mente sequer que esteja a pensar em mim neste
Momento, que esteja comigo na memória, neste exato
Segundo que acabo de escrever estas frases reflexivas;
Não passo pela cabeça de ninguém, nem pelo
Pensamento, ideia, ou ideal; sou totalmente
Fora de cogitação, fora de plano, e fora de lembrança,
De qualquer cabeça que povoa a face do planeta;
Mesmo assim deixo para cada um individualmente
Uma molécula de mim, um fio de energia,
Um pedido de benção, e de felicidade, uma espera
De evolução, de modernidade, e de futuro
Vindouro melhor, e mais justo, sem remédios,
Sem doença, sem prostituição infantil, sem
Pedofilia, injustiça, e desequilíbrio de qualquer espécie,
Inclusive queda de avião que agora virou
Moda, e morro de medo de um cair na
Minha cabeça chata de nordestino do interior
De Minas Gerais, para aonde voltei depois de
Vinte e seis anos longe do solo pátrio mineiro;
E deixei no Rio de Janeiro uma carreira de amigos
Dos quais agora só posso sonhar com eles, e vê-los
Só através dos sonhos, e dos pesadelos, e dos porres;
Estou no meio da minha gente, porém, estou
Ilhado, estou isolado, exilado na própria
Terra, junto da própria família, tudo porque
Recuso-me a fazer parte do grupo que busca pelas
Igrejas evangélicas, as respostas para as próprias aspirações;
E as soluções para os próprios problemas, e, como me
Recuso a procurar as igrejas evangélicas, sou mantido
No banho maria, na fritura, e fora do raio de
Ação até mesmo dos próprios irmãos; mas não
Estou a reclamar, gostaria só apenas de beber as
Minhas cervejas sem precisar fazer ninguém chorar;
Apesar de todo o esforço, passamos rápidos pelas cabeças
Das pessoas, e só apenas por milésimos de segundos
Ficamos nas mentes dos nossos entes, e semelhantes;
Fora disso somos colocados no segundo plano,
Tratados piores do que animais, do que cachorros;
E já houve caso de condenados em que o doutor
Advogado de defesa, requereu para o réu, o
Direito de tratamento dos animais, devido
As condições, e os maus tratos sofridos pelo prisioneiro;
Um exemplo foi com o nosso grande líder político o
Comunista Luiz Carlos Prestes, que vi poucas vezes em vida, e a
Outra já o vi morto, a ser velado no Palácio Tiradentes,
No Rio de Janeiro; e na hora que eu estava presente ,
Estavam a tirar o molde da máscara mortuária do
Grande exemplar, e histórico brasileiro, que realmente viveu,
E fez a história do Brasil, como na verdade deveria ser feita;
Aí, me chega uma mulher aqui agora, na minha frente,
Gagueja, gagueja, gagueja, e não entendo o que ela
Pergunta, e quando consigo entender, onde fica a
Escola de Medicina de Minas Gerais? não sei
A resposta, e penso que é duplamente frustrante,
Para ela que gaguejou tanto, e para mim
Que fiz tanto para entender, e não saber a resposta;
Porém, ri, depois das reflexões, pois, apesar da mulher
Ser gaga, também sou surdo, e não escuto
Direito os sons da vida que rolam ao redor;
E se morrer mesmo amanhã, ou hoje ainda,
Ou ainda depois de amanhã, ficam aqui desde
Já as minhas despedidas, os meus pedidos de
Desculpas, de perdões, de arrependimentos, e de remorsos;
E o pedido de perdão maior vai para o português
Que matei durante todos esses anos de vida ;
E também bem que poderiam encontrar um modo mais
Fácil de falar, e de escrever, e não linguagem
Tão complexa, e tão exigente que desistimos na
Primeira tentativa, justamente por desconhecermos
A desinência verbal, a contenção verbal, a conjugação
Verbal, e o verbo é a ruína, e a morte de alguém
Que queira aventurar-se na de escritor;
E ainda tem os pronomes, os porques, os nessas,
Ou nestas, as vírgulas, os pontos, os pontos e vírgulas,
Os vocativos, os sujeitos, os advérbios, os substantivos,
Os adjetivos, e etc, e tal, que é tanta linguagem,
Tanta figura, tanto discurso, que só mesmo um mestre,
Um bom conhecedor, um phd em português, para poder
Escrever bem, e entender a lusitana mãe;
Mas se por ventura passar incólume à grande
Sensação de que vou morrer, fica dado aqui
O recado para gerações vindouras, e não será
Inútil a despedida, e os pedidos feitos aqui;
Por mim, pretendo chegar tranquilamente
Aos oitenta anos do meu tio José Antônio Medina;
Não sei se chegarei vivo, e forte tanto quanto
Ele chegou, apesar das peças que o destino já pregou
A ele, e à família, durante os longos anos;
Deixa eu comer mais uma banana caturra, que
Eu agora estou numa dieta à base de bananas,
E leite; bebo um litro de leite todos os dias, e estou
A me sentir bem, e mais leve do que no tempo
Em que almoçava nos botequins as comidas cheias
De temperos, e de gorduras que me deixavam pesado,
E a arrotar, e a peidar todo o resto do dia, horror;
E no fundo, quando paro para fazer uma comparação
Entre estar aqui, e no Rio de Janeiro, parece que,
Apesar de não lidar aqui com o dinheiro que
Lidava lá, e apesar de aqui, e não ser lá,
Parece-me que estou a me sentir mais feliz aqui,
Não sei se estou a me enganar, ou se estou
A me iludir, ou a mentir para mim, mas,
O fato é que de vez em quando, vem a mim,
Uns rasgos de felicidade, de satisfação, e ligo um
Fato ao outro, e chego à conclusão, que só
Acontece pelo fato de estar aqui, e não estar lá;
Se estivesse lá, estaria com um aborrecimento,
E um desgosto, é que votei no Garotinho por causa
Da Bené, e ele já rompeu com o PDT do Brizola, e
Hoje li no jornal que não vai apoiar a
Candidatura de Bené à prefeitura; penso o
Garotinho um traidor, se ele não apoiar
A Bené, independente de quaisquer circunstâncias;
Vê-la, seu Garotinho, não abandona a Bené, não, viu?(2)

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