segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Que eu possa abrir os meus olhos igual o Homero; BH, 0110802013.

Que eu possa abrir os meus olhos igual o Homero 
Abriu, que possa abrir os meus olhos, igual Borges 
Abriu, e Édipo, que arrancou os olhos, para poder enxergar
Melhor; que eu possa abrir meus olhos, da mesma
Maneira que Ulisses abriu o olho do Ciclope, e o
Fez ver, o quanto ele era estúpido, ignorante,
Pequeno, mesquinho, e tudo o mais que um Polifemo
Pode ser de bizarro, de ser bisonho, a gritar aberrações,
De dentro da caverna, no meio da madrugada; que eu
Possa abrir meus olhos em frente ao espelho, e de
Frente para mim, pelo menos uma única vez na vida,
Chegar à conclusão, de quanto sou grosseiro; Jacques Lacan,
Que eu possa abrir meu olhos, como tu abriste os
Teus, e deixar de ser cego, e passar a perceber, que
Ao estar de costas, não é para outrem, estou de
Costas, é para mim; e por  estar de costas assim,
Não posso ver, e as pessoas que têm que apontar
O tanto pernóstico que sou; sim, se eu abrir meus
Olhos, cairei na realidade, não tatearei, saberei
Dialogar, raciocinar; sim, se eu abrir meus olhos,
Saberei negociar: não passarei por gato, ao ser
Uma lebre; e não passarei por lobo, ao ser um
Cordeiro; e não passarei por lobisomem ao ser
Um homem, se eu puder abrir meus olhos.

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