terça-feira, 22 de março de 2022

as vasilhas areadas estão expostas ao sol a secar BH, 020602019; Publicado: BH, 0220302022.

as vasilhas areadas estão expostas ao sol a secar
um aroma de gordura despende da cozinha a
lixeirinha está abarrotada o móvel da pia não tem
forro de fundo a porta é arrematada com durex
igual a do banheiro uma lasca de madeira prende
o portal de entrada da sala de estar de visitas
pregos enferrujados por quase todos os cantos
paredes dos cômodos o que é usado por cozinha
falta uma parede é constantemente invadido por
pombos que sujam tudo o cão concorrente vive
mais dentro de casa do que do lado de fora
algumas vezes já o peguei a mijar nas paredes
mas é o preferido o preterido é o que escreve
ontem li alguns poemas do velho safado fiquei
com inveja quase joguei fora todos os meus que
chamo de poemas até jurei que nunca mais
empunhetaria uma esferográfica atmosférica
para uma masturbação poética já sexagenário
estou aqui sem aprender sem cumprir nada a
querer gerar poemas de escritos escrotos de
poesia fria não tomo vergonha nesta carranca
medieval medonha de meliante neandertal de
embarcação de viking o ronco do avião me
acorda onde estava mesmo? voltei a dormir
com dor de dente de cabeça a coluna
arregaçada quase não consigo me locomover
como lagarto louco soturno pelos corredores
noturnos do hospício abandonado

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