domingo, 10 de novembro de 2013

Parei de perseguir estrelas e coriscos; BH, 01001102013,

Parei de perseguir estrelas e coriscos,
Cometas, quasares; parei de querer
Controlar o universo, de visitar
Exoplanetas, e de querer ultrapassar
A velocidade da luz; como um cão
Velho, um cachorro que não agrada
A mais ninguém, o que quero agora,
É ficar quieto no meu canto, aqui
No fundo do quintal; não faço mais
Nem a minha ronda para demarcar
Território, não dou mais latidos
Para o sol, e nem mais ganidos para
A lua; vencido, completamente vencido,
Saio da cena em que nunca entrei;
O capitalismo venceu, o mercado venceu,
A mídia venceu, a religião venceu,
Enfim, o sistema venceu; e aos vencidos
As coleira, os cabrestos, as rédeas; aos
Vencidos as cascas das batatas; os tacões
Das botas, os relhos, as cangas, e as cangalhas;
Quando vivia na utopia, inda
Sonhava em mudar o mundo,
Ver um mundo livre, e uma humanidade
Em liberdade; e não há liberdade,
Os poderosos, presos às suas psicoses, às
Suas neuroses, mantêm-nos presos em
Nome da ordem, e da segurança;
E aos vencidos os controles, os drones,
Os soldados universais; não quero isso,
Abomino isso, quero latir para o sol,
Quero uivar para a lua, lobisomem; e contar
Quantas ondas do mar quebram nas praias,
E quantos grãos de areia formam uma duna.

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