sábado, 2 de novembro de 2013

Quando se pega numa pena; BH, 02801002013.

Quando se pega numa pena,
Não é para se ter pena, sentidos,
Sentimentos; quando se pega
Numa pena, pega-se como
Se pegasse numa vara de granito,
Num pedaço de carvão de lava
De vulcão milenar, ou num caco
De pedra lascada; o papel vira
Parede consagrada dos santuários
De cavernas; o papel vira pergaminho
Misterioso, ou papiro onde se
Registrou o início do universo;
Há de se fazer uma reverência
Antes, uma oblação, e uma deferência,
Como se estivesse diante do
Maior tesouro jamais visto na
Face do planeta; há de se nascer
De novo: em alma, em espírito, e
Em ser; é um momento tão
Importante, de grandeza tão
Exacerbada, que fica-se tudo
Pequeno, e o infinito se sente
Ameaçado; é um momento tão
Solene, como se fosse o nascimento
De uma estrela, e não há com
O que se comparar em dimensão;
Todas as galáxias, e conglomerados
De constelações deslocam-se num
Só momento em respeitoso silêncio,
Na espera dum protagonismo,
Na ansiedade de ser personagem,
De ser parte desta obra-prima,
Desta obra de arte, desta procissão,
Só captadas pelos quasares do pensamento.

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