sábado, 28 de junho de 2014

A vontade é de algo de desumano; BH, 02905030602014.

A vontade é a de algo de desumano,
A de algo não normal;
A vontade é a de poder de potência de Picasso,
A de navegador dos grandes descobrimentos
E a de êxtase de geniais descobertas e invenções;
E a de matar por qualquer motivo fútil,
Só para aparecer nas revistas
E nos jornais
E nas televisões;
Tudo que sirva para brilhar,
Para refletir;
Dum caco de espelho,
Como até a vontade de morrer em horário nobre
E a de ser devorado em banquetes de canibais
E se possível assistir ao vivo,
Parte da degustação,
Antes do fim do festim;
E a de ganhar todo o dinheiro do mundo,
Mesmo que para isso,
Seja necessário gerar a maior desgraça do mundo;
E a maior miséria
E a maior pobreza,
Com o maior número de pobres possíveis;
Cada vontade é uma vontade louca de ter mais vontade
E o preço a pagar é o que menos importa:
A vontade de ter mesmo sem poder,
A vontade de comer mesmo sem fome
E a de beber sem sede;
A vontade de não ter dor
E a de não chorar
E a de nem sentir dó de quem sente dor;
A vontade é soberana
E satisfazê-la é imperial,
Esconder o bem
E propagar o mal;
A vontade não tem dono,
Não é a do dono,
A vontade é dela só;
Não é de ninguém particularmente,
É de quem não tem vontade
E deixa que a vontade,
Tenha vontade por outra vontade;
E o que a outra vontade faz?
Realiza a vontade daquele que prefere viver sem vontade.

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