sexta-feira, 20 de junho de 2014

Empresarial Nicolau Jeha, 23; BH, 01601002012.

Não paras de escrever nunca?
Não posso,
O sol não para de nascer,
A luz do sol não para de brilhar,
Como posso parar de escrever?
Mas,
O que escreves assim tão prolixamente?
Escrevo de um tudo que me vem à mente,
Igual a lua vem toda noite,
Embriagar aos apaixonados;
E há quem goste e leia do que escreves?
Inquiridor,
Não preocupo-me em saber,
Se tenho ledores e se tenho quem goste
Do que escrevo;
Escrevo e é o que basta-me,
A chuva quando cai,
Cai,
Gostemos ou não
E a chuva não escolhe a quem agradar;
E o que pensas em ganhar com esses manuscritos?
Sou ambicioso,
Não me contentarei só com a imortalidade,
Quero com cada letra uma posteridade
E com cada palavra uma eternidade;
E quero mais que o infinito,
Nesta simples folha de papel;
Para mim mesmo,
Não vale um centavo,
Não passa de um real furado;
E pensas que não sei disso,
Sei muito bem e pouco importa-me;
Para ti,
Há quem ouve estrelas,
Vê fantasmas,
Conversa com mortos,
Visita planetas,
Vai ao fundo dos mares e oceanos,
Anda nos subterrâneos,
Galopa com os ventos,
Reverencia montes e morros,
Montanhas e cordilheiras,
Desce aos abismos,
Mergulha nos céus,
Constrói nos firmamentos:
Balelas,
Tudo balelas,
Não trabalhas não,
Para veres se comes e bebes;
Mas,
Eis aqui a minha comida,
Eu sou a minha comida.

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