segunda-feira, 9 de junho de 2014

Não fomos feitos uns para os outros; BH, 07090602014.

Não fomos feitos uns para os outros
E o barro usado nas nossas formações,
Foi o barro de pior qualidade,
Barro de barrela,
Misturado com água de lama
E areia de detrito de maré baixa;
Não fomos feitos uns para os outros
E nos pensamos os nobres,
Só pode ser,
Os fidalgos,
Elite das elites
E burguesia das burguesias;
E desprezamos os princípios mais básicos
E humilhamos
E fingimos de normais;
Não fomos feitos uns para os outros
E nas nossas formações de humanidade,
Faltam-nos formações humanitárias;
E nos pensamos os imortais
E nos pensamos com capacidade de julgar aos outros
E de não sermos julgados;
E podemos dizer o que nos vem à boca,
Sem passar pelo nosso pensamento
E dizemos sem constrangimento,
Tudo que tem a condição de chocar a um jumento;
E um jumento pudibundo,
Muitas vezes,
Por pura discrição,
Evita dizer a maioria das aberrações que dizemos,
Sem tremor,
Sem rubor,
Sem pudor;
Não fomos feitos uns para os outros
E é triste constatar,
Para uns pode até ser que não,
Mas, para outros pode doer esta constatação;
Ídolos de pés de barros,
Santos de pau oco,
Craques de pés duros,
Piratas de olho de vidro,
Canários fobas,
Galos fujões,
Não somos de boa raça
E nem de bons corações;
Alegria será o dia em que nascermos uns para os outros
E a irmandade nascer nos nossos corações
E o humanismo no seio da nossa humanidade;
E nos alegraremos de verdade,
Como se recebêssemos cálices transbordantes,
Dos mais nobres vinhos.

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Luis Moreira, muito obrigado pelas considerações, aguardo outras visitas, abraços!

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