sexta-feira, 27 de junho de 2014

Empresarial Nicolau Jeha, 12; BH, 01201002012.

Dizem os nossos mais velhos,
Com as suas línguas calosas,
As suas bocas tortas,
Seus lábios pendentes,
Que Deus nos criou à semelhança d'Ele;
Não concordo,
Nem discordo,
Mas penso que o que nos assemelha a Deus,
Se realmente temos alguma semelhança com Ele,
São os livros;
É a literatura,
A leitura,
A cultura,
A escrita,
Estas coisas podem nos aproximar de Deus
E até nos fazer sentir alguma semelhança;
Como podemos ter semelhança com Deus,
Se não sabemos falar nem a nossa língua,
A linguagem dos homens?
Isso é o que às vezes me faz duvidar,
Se temos alguma semelhança com Deus;
Penso que Deus jamais falaria
E escreveria da maneira que falamos
E escrevemos;
Ele deve pensar assim:
Esses humanos são loucos,
Propagam que têm a minha semelhança
E nem sabem se expressar na língua com a qual os dotei;
Não leem as escrituras,
Não oram dentro do padrão clássico da língua,
Inda querem assemelhar-Me a eles?
São loucos,
Verdadeiros loucos,
Esses seres humanos;
Não dou nem ouvidos a tantos disparates,
A tantos assassinatos de idiomas;
E não gostam de livros,
Falam pelos cotovelos;
Não gostam de escrever
E querem conquistar-Me
E assemelharem-se a Mim;
Tenho que rir muito deles ainda,
Antes de exterminá-los mais uma vez;
Penso que a primeira coisa que Deus deve preservar,
No papel de Deus que Ele é,
É a cultura no falar;
É a norma erudita ao nos passar algum ensinamento;
Podemos até pensar como livres pensadores,
Muitos como pensadores livres,
Que temos semelhança com Deus;
Mas pelo amor de Deus,
Vamos pelo menos melhorar a nossa forma de falar
E de escrever,
Para nos comunicar com Deus;
Afinal,
Deus é Deus
E merece
E nós queremos ser semelhantes a Ele.

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