a quem apelar quando a poesia não me quer mais?
a quem recorrer quando o poema corre de mim à minha frente?
à velocidade da luz a minha inspiração bateu a porta do meu coração
saiu pela contramão a atropelar a imaginação a matar
a razão como uma casa que não tem amor
cheia de corpos que não praticam o amor
num mundo formado de montanhas rochosas geladas
de icebergs abissais o dia é nublado de sol chumbado
a solidão é um dejeto que se desprendeu duma barragem
que se rompeu devido ao esgotamento
cobriu tudo que encontrou pela frente
nem as almas escaparam ou os espíritos fugiram
os livros foram soterrados vivos juntos com os mortos
que detestam livros todo mundo na mesma vala comum
a minha vida nunca mais será a mesma o
universo nunca mais será o mesmo o dia
que finda hoje não será o mesmo dia que se
findará amanhã o amanhã não terá manhã
será a perda da manhã que se adquire com manha do mar
o mar não será o mesmo mar com os pingos das minhas lágrimas
as ondas que quebram nas praias todos os dias de manhã
também não serão as mesmas a jogarem as espumas brancas
contra a pureza infinita do céu azul
BH, 0130402020; Publicado: BH, 020602022
Lindo!
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