terça-feira, 21 de junho de 2022

se precisares pensar para escrever não escrevas

se precisares pensar para escrever não escrevas
se quiseres torturar a mente em busca dalgo
como um demente trêmulo tal um decrépito
romper a normalidade para imortalizar uma poesia
não o faças nem fales o que fizeste ou o que
deixaste de fazer pois a letra procura a palavra
a palavra procura a frase a frase a sentença a
sentença o período quando menos esperas teus
fantasmas te deixam de legado uma obra-prima
que ao final assinarás como se fosse tua até
vangloriarás ufanamente que esquecerás dos teus
fantasmas escondidos dentro de ti nos escombros
das tuas masmorras calabouços prisões que usam
por moradas de versículo em versículo escreverás
uma biblioteca não ganharás o prêmio nobel de
literatura
combaterás o capitalismo derrotarás a burguesia
aniquilarás a elite destruirás a cleptocracia
enterrarás
a plutocracia resgatarás a democracia
devolverás
ao povo o que é do povo o poder do povo amarás ao
teu próximo como a ti mesmo viverás em paz sem
cartões de créditos débitos não cometerás
nenhum desmandamento comerás teu arroz
com feijão farinha beberás tua água fresca do
pote amanhã de noite quando for no mar noite
dormirás o sono dos justos na embarcação dos sonhos
não acordarás sonâmbulo a andar por sobre as águas

BH, 02301002020; Publicado: BH, 0210602022

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