quarta-feira, 15 de junho de 2022

quanto mais envelheço mais caturro fico

quanto mais envelheço mais caturro fico
um bruxo casmurro dessas seitas literárias
donde os magos são expulsos quanto mais
envelheço mais taciturno solitário sorumbático
meditabundo com a bunda a esfolar a almofada
do velho sofá já tão gasto acabado quanto o
que não soube envelhecer por não aprender a
viver nem com a vida a filosofia da moderação
ou a sabedoria da evolução tenho a certeza de
ser enterrado com a ignorância crônica a
estupidez inveterada a insensatez notória sem
a tão almeja obra-prima cobiçada à vida toda
com as coleções de frustrações derrotas sonhos
não realizados inacabados projetos falidos a
certeza de navegar num mar de álcool até o
último dia de vida sem falhar um único dia para
não decepcionar a consciência passar para a
ciência a experiência da decadência de como
é beber assim um velho velhacamente sem
condições para registrar patente para garantir
direito autoral de tal perspicácia que torna-me
um bêbado solitário na solitária habitado por
solitária evitado nas confrarias por tantas
perturbações lambanças na ordem pública por
causa das aberrações infinitas de morbidezes
extravagantes de bizarrices transviadas de
comportamentos insuportáveis

BH, 0230702020; Publicado BH, 0150602022

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