terça-feira, 12 de março de 2013

MIKIO, 93; BH, 0110302013.

Anjo, quando vieste a voar do infinito
Para mim, não pensei que ao chegar
Aqui, perderias as asas; e perdeste as asas
Em pleno voo e caíste no meu seio e
Abriguei-te no meu colo; e apesar de
Não poderes mais voar e escolheste a
Pior caverna para habitar, amo-te com
As forças que a mofina reanima o meu
Coração; e é o que faz dispersar o cheiro
De mofo que exala da tua loca; e
Ao enlouquecer, enlouqueceste-me e
Somos dois loucos num mundo de lúcidos,
Ou somos dois lúcidos num mundo de
Loucos? mas tendes um lado bom,
Um fator do bem e nada cometes de
Violência ao Universo; perdeste as asas,
Perdeste a condição de Anjo e não perdeste
A ternura, a pele macia, a boca fresca,
O físico de deus Apolo, a beleza de
Narciso, a língua de seda, o talhe de Adônis;
Não voas mais, és um animalzinho dominado,
Um passarinho no laço; agora teus voos
São todos meus; e quando quiseres
Retornar ao infinito? não tens mais
Asas, não és mais Anjo, não tens
Mais espírito, ou alma, como retornarás?
Os outros anjos te aceitarão? os deuses
Te quererão lá? preocupa-me o teu
Futuro, que é o meu futuro, o nosso futuro;
E se um dia voares novamente, não percas
Mais as asas para não caíres e não ficares
Sem noção, sem razão; Anjo, se um
Dia voares novamente, adquirires a tua
Condição de Anjo, não me deixes aqui,
Sejas a água duma fonte que corre
A arrastar uma flor.

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