terça-feira, 12 de março de 2013

Requiescat in pace descanse em paz; BH, 02202301202003.

Requiescat in pace, descanse em paz,
É do ofício dos mortos e das encomendações
De defuntos, mas deveria ser ditas aos vivos;
Pois nós somos os que estamos a precisar de paz
E também de amor; tu podes até dizer para
Mim: res, non verba, realidade e não palavras;
Sei que não tenho realidade e o que realmente
Sobra em mim, são as palavras, sou amante
De todas elas, um bom amante até, porém,
Infiel,: não sou fiel a nenhuma palavra e
Cada vez mais, o que quero são as palavras;
Não faço delas res nullius, coisa de ninguém,
Mas sim minhas, infinitamente minhas; e
Eternamente minhas, estão para mim, como o escatel, a
Abertura no extremo de uma cavilha de navio, para meter
A chaveta, está para o navio; não deixo meu solo se
Transformar em escarambada, comigo ele andará sempre
Fértil, pois sou escarafunchador, esgaravatador de
Palavras, remexedor e bisbilhoteiro de vocábulos; não
Uso a verborrágica para escarabocho, como um desenho
Muito imperfeito, uma garatuja; uso-a para decifrar o
Escarabídeo, espécime dos escarabídeos, família de
Insetos coleópteros, que tem por tipo o escaravelho
E para decifrar os escaques, divisões dos quadrados do
Tabuleiro de xadrez e do escudo em cores alternadas;
Feliz de quem tem no escapulal o peso de todas as palavras,
Não precisa de fuga para nada, não tem necessidade
De escapatória; nem dá uma escapadela, ou
Uma escapula da realidade, da mesma
Maneira que se sabe descamisar o milho, ou
Desfolhar uma árvore, a palavra também é para
Se escapelar, deixá-la nua, despida, em carne
Viva, em pele e osso; a palavra deve ficar escapelada,
Pelada, livre igual a um pássaro a voar no azul
Do firmamento; milagre existe, Deus existe e 
Creio em Deus e se algum dia encontrar-me cara a
Cara com Ele, pedirei cada vez mais inteligência
E sabedoria, sem escantilhar pela retórica, ou
Deixar escantilhado o falar; gosto de ver a arte
Em minha vida, sempre como um escansão,
Um ato, ou uma maneira de escandir, sempre
Na subida de tom e na elevação de ritmo em
Poesia; e não quero subir na vida pelo escano,
Ou pelo escarro, se Deus permitir, será pela arte que Ele me
Deixará dominar; e este dom não deixarei
Escanifrar, não deixarei emagrecer a vontade
De todo dia escangotar a verdade; segurar a
Realidade, sacudir pelo cangote, pelo pescoço
A mentira e livrar a humanidade dela, e da
Hipocrisia e da falsidade; o mundo está muito
Estragado, o mundo está partido, desarranjado,
O mundo está escangalhado e só a palavra certa
Pode consertar o mundo, se tiver de ficar bem
Escanelado, com pernas e canelas esguias e magro,
De tanto rodar o mundo atrás das palavras, não
Medirei esforço para ficar assim; desde que a palavra
Não seja ruim e seja útil como o escândio, elemento
Químico, metal, símbolo Sc, peso atômico 45,1 e número
Atômico 21; não será qualquer escandescência nas hemorroidas,
Ou prisão de ventre que irá nos escanchar, nos escachar
As entranhas, abrir pelo meio, ou nos desconjuntar, na
Hora de colher a escândea, espécie de trigo muito
Branco e duro, também chamado durázio; pois a
Palavra às vezes também deve ser dura, sem causar
Efeito escandalizador; a palavra é tão ou mais
Especial do que o escansão, o copeiro encarregado
Dos vinhos e de suma importância; debaixo
De uma escâmula, uma pequena escama pode-se
Esconder um grande significado, um grande
Sentido e todo caminho deve ser então um
Perfeito escampo; um limpo escampado, um claro
Descampado para escamisar a palavra, tirar a
Camisa do verbo, descamisar item por item, até
Que se chegue ao filé mingnon; um falar
Escamígero, um escrever escamoso, um pensar
Escamífero, ficam a parecer mais coisa de réptil,
De fóssil escamento, de ser escameado e que
Talvez nem exista mais; na vida temos que
Fazer de tudo, de escambador, cambiador,
Que faz as trocas monetárias, tal o cambista;
Agora francamente, devo confessar um fracasso:
Numa discussão hostil, numa controvérsia rude,
Perco de goleada, minhas mãos tremem, minha
Boca fica seca, e embaraço-me em todos os pensamentos
E sou rapidamente envolvido pelos adversários;
Sofro mais do que o escamel, o suporto mais do que
O banco onde as espadas são polidas; porém, tenho
Certeza, que um dia acabarei também com esta
Escamadura e quando entrar num confronto
Verbal, serei imbatível, igual ao Sócrates e aí,
Nada mais terei para escamar em mim; e mesmo
Zangado, ou irritado, manterei a consciência do raciocínio;
Manterei limpo de escamas o cérebro e escamado o
Crânio; e infelizmente a escamadeira, mulher que
Escama peixe, perderá o seu emprego comigo;
Quanto mais o tempo me deixar escalvado, com
O semblante calvo, não posso permitir que o
Meu terreno interno fique sem vegetação; não
Posso manter dentro de mim, nada de insosso;
E se sentir algo de insípido, ou de escalrichado,
Fico logo preocupado e até entro em depressão;
Arranco a gramínea nociva às minhas searas e
O escalracho da agitação que o navio produz
Na água com o seu movimento, torna-se
Normal e tranquilo; no meu interior, portanto,
Nunca será preciso escalrachar: deixo sempre
Em condições de me satisfazer as necessidades;
E então, com todo o escalpamento, que o mundo
Tenta me impingir, procuro uma palavra bonita,
Ponho-a na boca e saio pelo universo a sorrir.  


Neste esboçado traçado ligeiramente e mal;
BH, 02302601202003;
Publicado: BH, 0120302013.


Neste esboçado traçado ligeiramente e mal
Delineado escrito, é que tento me firmar, encontrar
A segurança, a tranquilidade e a esperança que
Faltam-me; neste esboceto, neste pequeno esboço,
Tentativa de modelo em ponto pequeno e tão
Insignificante escorço de literatura, é que
Tento expulsar de mim, toda e qualquer
Esbodegação ruim; vivo esbodegado desde que
Nasci, cheio de preguiça, esbaforido para o
Trabalho, cansado de viver e exausto de existir;
É aqui neste esbofado simplório, que tento
Encontrar algum significado; procuro um
Sentido, corro atrás de uma direção e nada
Acontece-me; já estou esfalfado comigo mesmo,
Passei a vida a esborcelar a rocha e não minou
Nada dela; passei o tempo a esborcinar a pedra
E não me rendeu nada; cheguei a desbeiçar-me
De tanto pedir e rezar a santos de barro e eles
Estavam todos surdos; e com as unhas passei
A escalavrar as escarpas do alcantil em busca
Dos tesouros e voltei de mãos vazias e sem as unhas;
E os adversários passaram a golpear a minha cara,
Como se ela fosse uma bigorna; até hoje
Não senti desdobrar o meu esforço, até agora
Não vi transbordar de resultados os intentos
Que almejei e nem de esperança passei a
Esbordar mais; é este o meu esboroo literário,
Quem se interessará por ele? já nasceu esmagado
Pela incompetência, é um testo rebentado e que
Não traz nenhuma mensagem, ou lição de vida;
É um pergaminho espalmado e que não tem a
Autenticidade dos Pergaminhos do Mar Morto; e 
Quem escreveu, sou mais esborrachado do que um
Próprio bêbedo; quando acabar esta fase de escrita
Esborralhada, pode até ser que apareça algum
Interesse; antes é só derrocada, é só o esborralhar do
Idioma, o assassinato da língua, o suicídio da
Verborrágica, o contínuo esborralhadouro, pior do
Que a vassoura para varrer o borralho; e não é fácil
Por fim a este esborralhadoiro, que só serve
Para desmanchar e desfazer sonhos, ideais de
Borralho, desmoronar castelos, descoser os tecidos,
Destroçar as fortalezas e dispersar as forças e a coragem;
E não sei como extravasar tantos sentimentos, deixo
Meu peito transbordar de sofrimentos e o pranto
Desbordar dos meus olhos; quando a tristeza vem
Esborrar o mundo de miséria e desgraça e pobreza;
Por isto que digo que isto não é um escrito,
É uma esborratadela, uma mancha de tinta num
Papel, um borrão, um ato de esborrotar uma palavra;
O que sei é borrar e muito bem, sei é esborrifar
De letras, borrifar de palavras, salpicar de qualquer
Coisa frases sem sentidos, estrofes sem direção;
É um esborrifo de ideias, um salpico de pensamentos e
É preciso esbouçar o mato, cortar com foice os espinhos,
Surribar as palmas, pois não pode ficar esbrabejado
Assim, um peso zangado, um martelo irritado;
Um cão encolerizado, esbravejado, por mais que
E tente manter o cérebro esbraguilhado como
Uma braguilha desabotoada, o pensamento não
Sai esbranquiçado; não crio um provérbio alvacento,
Um verso descorado, ou deslavado, sai tudo é
Mesmo e sempre sujo; não sai esbraseado, afogueado
De emoção, ou escaldado de paixão; sai sem vida,
Fico vermelho de vergonha, fico rubro de acanhamento;
Jogo água no esbraseamento e o afogueamento
Que se segue são cinzas,e o enrubescimento que
Vem depois são carvões da turba que veio para
Esbravear comigo; é pura pretensão na cara querer
Nos aborrecer com esses torrões; saem todos a esbravecer,
Que cara mais chato, é só zangar com ele, é
Encolerizar com ele, que põe o rabo entre
As pernas e sai a correr feito um covarde medroso;
E realmente é verdade, quando alguém vem
Irritar-se comigo, ou embravecer-se comigo,
Saio logo na carreira, tenho medo de quem
Vem enfurecer-se comigo; é só embravecer
Na minha frente, que transformo-me logo
Numa galinha choca, tenho terror ao bravo;
E nunca irei descansar enquanto não perder
Este medo, nunca irei esbrugar enquanto
Não deixar de ser covarde; já fui esbulhado
De todas as maneiras, já fui espoliado de todos
Os meus princípios e já fui despojado de todos os
Meus desígnios e me confundem com esbulhador
Quando a vítima sou; me confundem
Com espoliador e o espoliado sou , me
Chamam de despojador e o despojado sou  e
Até de ladrão já fui chamado e quem foi
Roubado fui eu; que moro em barraco esburaquento,
Vivo com o véu rasgado e o bolso esburacado;
Quem irá esbrugar este abacaxi? ou descascar
Este pepino? quem irá descarnar este pedaço
De carne podre? e esburgar este nervo encravado:
Só o que sabe negar, dizer não, ou dar
Contra a vontade, ou de má vontade; só
O que sabe esburnir a verdade, esse é o que
Sabe luxar um osso; ou destroncar um membro,
Desmanchar o lar, ou deslocar o leite do seio
Ao deixar o recém-nascido a esbuxar de fome;
É o fim da e do que exprime ideia de coleção,
É o fim da soldadesca quando a guerra chegar de surpresa; e a
Mulher abandonada escabela e o mundo
Cruel é o de arrancar os pelos aos couros, mesmo
Antes de estarem curtidos; eh mundo cruel,
O que posso fazer para melhorá-lo?

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