domingo, 24 de março de 2013

Minha alma é uma ensambladura de alma; BH, 030040702003.

Minha alma é uma ensambladura de alma
E não é alma e meu espírito é uma
Ensamblagem de espírito, não é espírito;
E tenho ensamblamento de ser, não tenho
Ser, pois não soube ensamblar em mim, um
Ente assim, de entidade elevada, perfeita
E com total coordenação de ideias;
Não soube embutir meu pensamento
Com um padrão de nível de qualidade;
Não servi para entalhar bem a minha
Imagem de homem bom, que sabe
Emalhetar compaixão e marchetar em
Torno de si a verdade; tenho medo de
Ensandecer-me antes do tempo e tudo em torno
De mim, só quer me tornar sandeu;
A televisão me deixa demente, a mídia
É de me enlouquecer e não existe
Nada que possa fazer para me
Impedir de me dementar de uma  vez
Por todas; se ainda obtivesse a condição
De emanchar a minha mente, alargar meu
Ideal, aproveitar as ensanchas e assim
Ampliar tudo dentro de mim, o sofrimento
Seria menos e o meu choro não seria tão
Ensanguentado, tão coberto e manchado
De sangue, que chega a enroxar o semblante;
E a enruçar os cabelos, devido o meu modo
De entudescer-me comigo mesmo; e
Tão ignorante, que chego a embrutecer o
Mundo, a asselvajar o universo e a tornar
Bruto e rude, o chão onde piso; gostaria
De parar também de enrufar-me com as
Pessoas e não pretendo mais arrufar-me com
A natureza e nem zangar-me com os
Meus semelhantes; minha mãe está lá,
Quase a chegar ao fim da jornada
Dela e não quero ir vê-la, porém,
Preciso ir lá; mesmo com o padecimento,
É minha mãe e tenho obrigação de
Prestar solidariedade; sei que não estou
Enroupado de bons princípios, não ando
Vestido de razão e nem agasalhado de
Virtude; não sou o que está bem servido
De roupas, o que está roupido, pois estou
Nu e enroscado, agarrado nos meus
Delitos graves; deixei-me envolver nos
Conflitos e fiquei preso nos complexos
Por meio da rosca do medo e da
Covardia que acompanham-me sempre;
Caí desde que nasci no enroladouro e
Fiquei como o caroço, ou como aquilo
Em que se enrola o fio para formar o
Novelo; e então afoguei-me no enroladoiro,
Pior do que a enrediça, a planta que
Tem os ramos muito emaranhados e de
Onde nãos e aproveita nenhuma meada,
Tal qual deste enrediço, facilmente de
Emaranhamento e dificilmente esclarecedor;
E aqui termino sempre perdido,
Nesta falta de lucidez de espírito,
A procurar sempre o que nunca
Irei encontrar; despeço-me com este
Vago deste vão de vácuo de deserto
Mental, onde nem curandeiro dá mais
Jeito, o benzedor desistiu de benzer, pois
Também viu em mim, um ensalmador
Charlatão e mandingueiro sem enteléquia; e
Pobre na essência da alma e muito distante de
Aristóteles; porém, teimoso, que vai fundo
No veio enredoso, a derrubar o confuso, a decifrar
O complicado e a lutar para retoucar e
Revolver os meandros e os labirintos cerebrais,
Com esperança de enredoucar a estupidez
Do enregelado, do hirto grotesco de coração álgido.


O escritor é um eno e é um vinho que quanto mais velho melhor;
BH, 04040230280602003;
Publicado: BH, 0240302013.


O escritor é um eno e é um vinho que quanto mais velho melhor
E que indica a proveniência,  naturalidade e não a enofobia 
Que causa a aversão, ou o horror; o escritor também traz a
Enofilia, a inclinação ao vinho e a maioria
É de enófilo, beberrão, amigo e comerciante de vinhos;
E assim, sem ser enófobo, está mais para um
Enóforo, casado com uma enófora, tal ao vaso
Para vinho entre os romanos, trazido pelo
Escanção, criado que servia o vinho; e que até
Chega a curar a enoftalmia, a retração anormal
Do olho dentro da órbita; e é no enoitar, no
Chegar do anoitecer, no encanto do enoutar,
Que o poeta sai em busca do enol considerado
Como excipiente medicinal à cura da alma;
O que não se consegue com a forma alcoólica,
Derivada de um aldeído, ou acetona, só
Ao servir o enólico espiritual, a substância
Do corante tinto da enolina e demais
Poder tirado do enológico a gerar a enomancia,
Arte de adivinhar pela cor do vinho
E a aumentar a enomania, a paixão e doença
Resultantes do abuso do enomaníaco, o
Louco beberrão, e enólatra; no nosso caso
E só nos resta o enomel, o xarope que tem
Por base o vinho e em que o açúcar é
Substituído por mel; os euroméis são são os que
Realmente nos interessa nesta ensinança,
Neste ensinamento ensilado, armazenado igual
Cereal em silos; a pena ensiforme, que tem
A forma de espada, é que fere o papel, com
Seu furor ensífero, a deixar para a
Eternidade, este que não se usa mais;
Depois do vendaval de ilusão, continua
Ainda  enradicado em mim a impressão de
Que o bem radicado, o amor arraigado, ou
O perfil de bom implantado, não serão
Suficientes  para suavizarem o meu lado
Enraivado; o meu pedaço que está com raiva,
O teor irritado e enraivecido, quase colérico,
Irado às vezes, sem motivo e encolerizado
Por qualquer descuido alheio; não existe
Enramada, cobertura de ramos de árvores, ou
Sombra ramada, que refresque meu tormento;
Um tronco enramado, um vasto arvoredo que
Tem ramos, formado para enramalhar, ou para
Enramalhetar, ornar e adornar, enramilhetar
Com ramalhetes, reunir todo o verde e não
Deixar enrançar, criar ranço, ou estragar com o
Lodo; os os pântanos vêm enranchar com
As almas e bandear-se com os espíritos e inda
Agrupar-se com as entidades; a cada palavra
Que pena, sinto enrarecer em mim a cultura,
Sinto tornar raro o explicitar da ideia
E ralo o pensamento e cada vez mais
Rarejar as soluções para a enrascadela em
Que se encontra a humanidade, que
Vive sem as resoluções para a enrascadura
Em que se enfia a cada dia; cada
Homem tem o seu enrascar, cada ser passa
Por sua entalação, cada um carrega a sua
Complicação e se afunda na barafunda
Da enrascada e a ajuda que aparece
É só de gente intrigante; e de pessoa
Mexeriqueira, enredadeira e trepadeira
De costas alheias e semelhantes; um
Dia gostaria de ver a intriga acabar e
Enredo ruim, essa enredadela perversa que
Sofre a raça humana; não dou prazo
Ao intrigante e nem ouvido ao mexeriqueiro e
Desprezo o mal enredador, acabo com o
Enredamento e evito o entrelaçamento da
Intriga com mexerico; enredeiro comigo
Só o que cria cultura, poema e poesia.


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