segunda-feira, 4 de março de 2013

Gostaria de sentir meu cérebro faiscar ao emitir pensamentos; BH, 050202004.

Gostaria de sentir meu cérebro faiscar ao emitir pensamentos, 
Ao lançar de si centelhas de ideias, com clarões
De razão e de luminosidade; gostaria de ver minha mente
Expelir como faíscas, lembranças, memórias e todas as
Recordações de tudo que já vivi; o dia em que
Sentir-me cintilar, poderei dizer, confesso que vivo,
Confesso que vivi; só não gosto é de deslumbrar-me
Superficialmente, catar e pesquisar diamantes
E ouro, tratar o cascalho, o veio morto e a mina
Infrutífera; minha cabeça não é uma faisqueira,
Um lugar onde se encontram faíscas de ouro;
Resto do cascalho que fica abandonado nas
Catas trabalhadas, minha cabeça não é faiscante, ou
Mais do que cintilante, nem brilhante e de pensamento
Fagulhento; como um faiscador, aquele que
Procura nas minas, faíscas de ouro, tal e qual
O faisqueiro, procuro nas trevas dentro de mim,
Uma faiscação, um faiscamento de vida, ou um
Fagulhamento de emoção; sinceramente, gostaria
Que tudo dentro de mim fosse faísca, chispa, fagulha,
Faúlha e centelha; é duro só sentir a frieza da
Escuridão e a faixa da sombra, a banda
Da penumbra e a cinta que nos liga ao
Escuro da alma; é duro não fugir da correia
Da ignorância e não quebrar a tira do atraso
Que impede a evolução; e o furo chato entre a
Arquitrave e a cornija, é mais eterno do que eu;
A zona em volta de um planeta é mais infinita
Do que eu; a porção de terra estreita e longa,
É demais para receber o meu corpo apodrecido;
O listão entre duas linhas, que atravessa o escudo
Na sua largura, tem mais sentido e significado
Do que eu; então eu pergunto: para quê faixear,
Rodear com faixa de madeira o meu caixão?
Para quê um faixeiro, um cueiro num cadáver
De um defunto tão indigente? se ainda
Fosse, ou tivesse a soberba do faisão, da ave galinácea,
De linda plumagem, mas não, sou só um esqueleto
Esquecido fora do esquife; sou só uma lápide sem
Identificação; a faisoa, as faisães e os faisões, só
Querem devorar-me; sou um pássaro pintado e
Distante da realidade que me cerca; não
Tenho azáfama e vivo sem ocupação, minha lida
É a preguiça e não tenho tarefa nenhuma aqui
Na terra; trabalho, nem sei o que é, serviço, já
Até esqueci o significado e hoje, procuro o resultado
Da faina e sinto-me mais frágil do que a
Faiança; do que a louça de barro esmaltado e vidrado, ou
Feita de pó de pedra, é a que recebeu o sopro de
Deus e foi ela que ficou na história da cidade
Italiana Faenza; através do francês faience eu então
Encontro-me mais perdido do que nunca
Num faial; num bosque de faias disfarço-me de
Indivíduo de maus costumes; passo por vagabundo
E no entendimento da entrelinha tipográfica, queixo-me
Da faia, árvore européia, alta e ramosa e invejo o
Seu porte fagulhento, sua altivez de tronco fagulhoso
E parece milagre, pois não solta fagulhas e nem tem
Faíscas e o fagulhar que impressiona, é o balançar do
Vento, o faiscar do sereno e o chispar do orvalho; é o
Que faz a brisa ao desprender fagulhas e o cintilar da
Luz do sol nas folhas a dar-me a ideia de fagulha natural,
Centelha eterna; faísca infinita, chispa universal e faúlha
Divinal; e assim fico brando, fagueiro e agradável e
Carinhoso, meigo até com as serpentes e as víboras
Que querem inculcar veneno no meu calcanhar.

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