domingo, 24 de março de 2013

Meu pensamento é enfatuado e penso ser; BH, 06070202003.

Meu pensamento é enfatuado e penso ser
Presumido, vaidoso e arrogante e devo ter nascido
De um enfatuamento entre meu pai e minha
Mãe, ou da enfatuação de um clone; mas, não
Sei bem o que me tornou tão enfeado assim, que
Qualquer motivo vil e vulgar serve para enfebrecer
Meu ser, passar meu corpo a estado febril
E criar febre na minha alma; mas, não
Nasci em dia de carnaval e por isso
Não sou enfeitado, não ando ornado
De enfeites, nem adornado, ou ataviado e
Muito menos alindado; pois não faço barba
E nem corto, ou penteio os cabelos, odeio
Escovar os dentes e tomar banho; e não
Gosto de roupas novas e detesto sapatos
Novos e literalmente penso que sou
Um homem das cavernas; uma peça
Mal costurada, que serve para formar
Seio e fole, produzir folipo, enfolipar
Ao revestir com flanela, ao enflanelar
O coração; e enfivelar o organismo,
Pôr fivelas nas entranhas, guarnecer
Com fivelas a medula; e costuro neste
Enfivelamento, todo o composto do conjunto
Que me forma e neste ponto não sou
Enfitêutico, não sou de enfiteuticar-me e
Nem de aforar nada dos meus elementos; e
Passo longe de ceder qualquer coisa,
Para não enfistular o sangue, ou
Tornar o tecido fistuloso, ou criar
Fistula na carne; ou ulcerar-se
Qualquer órgão, qualquer órgão
Enfisematoso, qualquer ponto enfisemático,
Que atrapalha o enfiador, o aparelho, ou o
Instrumento que enfia, que faz passar um fio através
De uma agulha, entre uma carne e um
Nervo; é esta enfiação que torna o artigo
Sem o enfiamento, sem a importância
De colocar objetos num fio, a causar total
Enfezamento e não a mesma alegria
De um artilheiro ao fazer um gol, numa
Partida decisiva de futebol; e o artigo
Bruto assim, causa raquitismo, atrofiamento
Mental, aborrecimento e irritação; e nunca
O escrito enfezado, raquítico, pequeno,
Acanhado, aborrecido, irritado, terá no
Seio popular o lugar de um gol; e não
Pretendo enfeudar nada, criar um partido
Dos artigos, entregar-me à uma pessoa,
Como um articulista profissional; e
Avassalar alguém para depender dele,
Para sobreviver, submeter a todos e constituir
Um feudo, para que os artigos também
Sejam comemorados com a mesma,
Intensidade de um gol; nada mesmo
De enfeudação e nem de enfestoar, nada
De enfermeira para quem não está doente;
Quero uma mulher, mas não uma que cuida
De enfermos e não morrerei numa enfermaria;
E morrerei antes de enfermar, numa casa, ou
Numa sala; e se adoentar-me, ou adoecer-me,
Deixai-me sem enfermagem; sem funções e
Sem serviços próprios, sem tratamento;
Podeis enfeltrar o féretro e a tumba; podeis
Envolver em feltro o ataúde e o esquife e no
Lugar do meu nome escreveis assim: caixão
Do defunto; depois é só enfeixar com fereza,
Atar enfeixe com crueldade, juntar com
Ferocidade, reunir os restos mortais no enfeixamento
Final, e enfeitar para enganar os cegos; e usar
Enfeites e atavios, adornar, esconder a tristeza
Que um dia fui em vida.


Triste é entenebrecer o destino;
BH, 040200702003;
Publicado: BH, 0240302013.


Triste é entenebrecer o destino
E cobrir de trevas o futuro, ao enublar os
Dias; triste é ver escurecer a tarde e
0bscurecer a lucidez de espírito e a
Enteléquia encher-se de sombras; e o
Depósito de essência da alma tornar-se
Escuro; se fosse aqui enrenquear o que
É triste, a madrugada seria pequena;
Se fosse aqui dispor em fileira toda a
Minha tristeza, a vida que levo seria
Mais curta ainda, menor do que um
Renque; não tenho qualidades para
Enfileirar e nem elogios para alinhar;
Sou um pigmeu, ameaçado de extinção,
Pois muitas tribos antropófagas acreditam,
Que a minha carne é sagrada e
Os canibais pensam que a minha
Carne é santa, possui poderes, inclusive
Afrodisíacos e querem devorar-me; fujo,
Embrenho-me no mato, vivo escondido em
Buracos e sou caçado, mais perseguido do
Que animal selvagem; e é só assim neste
Lamento, que tento chamar a atenção do
Mundo, para o meu tormento e o sofrimento
Dos meus conterrâneos, os meninos africanos,
As crianças que eles matam, que não têm
Infância e são obrigadas à uma guerra de
Onde jamais sairão com vida; ou não terão
Um sonho para encestar, ou uma ideia para
Meterem em seira, ou um ideal a enseirar,
Ou outro enseiramento qualquer, como
Aquele que enseira figos passados e a morte
É a única herança, de todo esse meu irmão
Enseirador; é triste essa quebrada africana, é
Longa a sinuosidade da estupidez
Humana e qualquer enseio serve para,
Vagar nessa pequena abertura entre esses
Dois montes, onde Noé deixou ensecar a arca,
Ou qualquer outro pode por em seco a
Própria embarcação, e varar o universo,
Em busca de uma solução, sem limitação,
Sem secar o sangue da veia, ou esgotar
A vontade no pensamento, mesmo que
O espírito venha exaurir-se do corpo;
A alma não pode fugir do tapume
Em volta das construções mentais, tais
As feitas debaixo d'água, como se fosse
Para o entre trabalhar em seco e então,
Tomar a resolução de uma ensacadeira;
O ser humano precisa deixar de ser sujo,
O representante da raça humana, não
Deve mais ser gorduroso, nem untado e
Nem coberto de sebo; tudo que possa o fazer
Sentir ensebado, deve ser evitado;
Desde o processo forense, o araraquarense,
O cearense, o brasiliense, o fluminense,
Pertencem a qualquer designativo de
Origem, ou naturalidade; o melhor
É engrazar claridade, enfiar qualidade
Na vida e ensartar suavidade; assim
A tornar-se um engrazador de luz, um
Incrustador de todo tipo de fonte luminosa;
Tal um real ensartador solar e sescar
O semblante sarmento, ao queimar da face
O ensarnecer e o rosto invadido e coberto de 
Sapé para ensanguinhar de coragem
O ensapezado; tornar rubro de vergonha
O mentiroso e pintar de vermelho o falso,
Para que seja facilmente identificado;
Aquele ali é um poeta pequeno, um
Escritor medíocre e é necessário ensanefar
Bem a imagem dele, é ornar  com
Sanefas, para que ele não passe tão
Despercebido e seja logo reconhecido,
Como ensamblador barato; marceneiro
Sem prova, entalhador sem ensaio.

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