sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A fala que vos mostro; BH, 090402001.

A fala que vos mostro 
E é um grande despautério, disparate de tolice,
De despedaçar aos ouvidos, partir os
Tímpanos, quebrar os martelos, fazer em
Pedaços as trompas, amassar as bigornas;
Nesta hora de despedida, neste discurso
Onde irei despedir-me, sem termo e
Sem um bom acabamento: sei que irei
Chorar; chorar, como se fosse por
Alguém na expressão dita, só pelo
Medo que tenho em desaparafusar
As palavras; e desatarraxar a voz da
Garganta de parafuso; a missiva que
Vos escrevo, lógico que não tem o
Grau da carta, ou do ofício sobre
Negócios de interesse público, que,
Um ministro envia a outro; e nem com
Oferenda deixada em lugar de
Encruzilhada, a alguma divindade
Da macumba, encontro desembaraço
Para os meus nós; e na nota de
Deferimento, ou de indeferimento,
Lançada por autoridade, não vejo
Os meus prós; o destino soube bem
Despachar-me, num despacho de
Correio-sem-mala, para as longínquas
Searas da lonjura; e tive que ir
Embora, alguém veio mandar despedir-me
E dispensar-me dos meus serviços de
Inutilidades; é o universo a deferir contra
Mim, é o agente comercial incumbido
De só encaminhar papéis, principalmente
Em repartições fiscais, aduaneiras e
Policiais: é que só soube horrorizar
Meu mundo; e não confio em despachante
E tomo cuidado com o que despacha
As almas em mercadorias; e é disposto
A tudo, é atrevido, deferido como o
Que obteve êxito e a despachada do
Meio é esta minha fala de despedida.

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