sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Que vergonha mais descarada; BH, 0250102014.

Que vergonha mais descarada,
Velho decrépito, senil, a querer
Fazer poesias; caquético, velho
De fraldão e não de fardão, a
Querer com mãos trêmulas, de
Bêbado, rabiscar poemas no
Papel; que vergonha mais 
Sem-vergonha, velho sem pudibundo,
Caduco, que teve a vida toda
Para emplacar como poeta e
Teve a adolescência e a juventude,
A liberdade e a independência; e
Teve a fase adulta e como
Pária, uma parasita inveterada,
Não produziu nada; vagabundo,
A depender de todos para ouvir
E enxergar; a depender de tudo,
Quer teimar no pesadelo de
Poeta, as poesias são para a
Genialidade dos jovens; os poemas
São companheiros das mocidades e
Aos velhos, aos anciãos, aos idosos,
Que inda têm a esperança nas
Poesias, nos poemas, os cantos;
Não os cantos dos cânticos, os cantos
Dos asilos, dos albergues, dos quartos
De fundo das igrejas; os cantos dos
Corredores dos esquecimentos, longe
Das memórias e dos deslumbramentos;
E acabar essa vergonha de velhos
Poetas caducos, a teimar em querer
Louros, em querer laurear nas trevas,
Uma rima impossível, cisma de loucos.

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