quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

E se escrevesse algo emocionante; BH, 0290402000.

E se escrevesse algo emocionante, 
E que emocionasse as pessoas e que tocasse
No coração, no fígado e nos rins;
Pâncreas, baço, estômago e acelerasse a
Produção de adrenalina no organismo;
Provocasse na mente a sensação de um
Filme de Alfred Hitchcock e nos olhos o quadro,
De uma fotografia  da lente de Sebastião Salgado,
Ou de uma tinta de Pablo Picasso, ou de
Uma tela de Salvador Dali; seria um poeta feliz,
Não seria maldito, malvisto, menor;
Seria um poeta do tamanho do meu poeta
Pantaneiro Manoel de Barros;
Porém, nada sei fazer para me emocionar,
Emocionar as pessoas, chocá-las de vez;
Já tenho a minha Etiópia, já tenho a minha
África inteira dentro do meu peito;
Já tenho as minhas guerras, as minhas
Fomes e as minhas misérias, desgraças;
E já tenho os meus índios e os meus
Negros; os homossexuais e as prostitutas; e
Carrego já comigo os meus marginais,
Meu lado podre da vida e de mim;
Já sou o meu submundo e canto
Tanto quanto Lou Reed, o negror da sociedade,
O fel da burguesia e o amargor da elite;
Não carrego a genialidade de Andy Warhol e
Sei que não terei os meus quinze
Minutos de fama e penso que
Chegarei ao ápice da mediocridade,
Ao fundo da ignorância, ao máximo
Da incompetência e ao infinito da hipocrisia eterna;
E o que é que posso fazer, se não tenho nem
A visão e nem o ponto de vista e a opinião
De um visionário loquaz e sagaz?
Já nasci cego e fui degolado pelo
Meu cordão umbilical; nasci mudo e
Cortaram a minha língua; nasci surdo e
Inda furaram meus tímpanos, com uma acha de
Lenha em brasa, tal fizeram com o olho do
Ciclope da Odisseia de Homero; um morto
Conhecido, pode até emocionar alguém,
Porém, um morto anônimo, um morto
Desconhecido, um morto indigente,
Solitário, abandonado e traste triste, esquecido
No fundo de uma gaveta de IML, não tem
Como e nem pode querer emocionar o
Mundo, como se fosse um Prêmio Nobel;
Como se fosse um ser iluminado llluminati,
Consagrado e angariado de simpatias
Pelos seres da humanidade; sei que nunca
Deixarei de ser amaldiçoado, nunca deixarei
De ser um mal assombrado, um fantasma
Bonifrate e sem salvação; e a minha única
Ilusão, é a tentativa da verdade na ficção, a
Tentativa de superar a mentira na sofreguidão
Da poesia oblíqua, da poesia ambígua e
Tentar um dia um reconhecimento falso e
Crítico daquilo que não soube ter sido;
E espero chegar um dia à eficiência, à essência
E ao classicismo de um cavalo andaluz e ser
Útil para alguma coisa e servir sem ser fútil
E sem ser servil; e a minha vida terá emoção
E a minha vida terá sentido e direção
E será uma vida de satisfação, tão cheia de
Satisfeita; e pronta para levar às outras pessoas, a
Experiência da metamorfose, não a de Franz Kafka.

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