domingo, 5 de janeiro de 2014

Desisto; BH, 0601202013.

Desisto,
Com a cabeça cheia de ciscos,
Palhas de terreiro,
Lixos de quintal;
O que me faz ter a aparência de vivo,
É o vento que me espalha pelos terrenos;
Desisto,
Não nasci para viver,
Amar,
Ter paz,
Ou ser feliz;
Se encontrasse a felicidade,
Seria o encontro de meras letras,
Vãs palavras,
Vulgares amores;
A minha felicidade estaria em encontrar as letras certas,
As palavras certas,
No tempo certo;
E desisto,
Não encontro,
É como se procurasse uma agulha num palheiro;
E meu sonho seria não desistir,
Pisar nos pesadelos com meus calcanhares;
Deixar de ser sonâmbulo anônimo
E ser sonhador nomeado,
Pensador conhecido a vagar pela vida como um vivo;
E não como a moda quer,
Um zumbi;
E não como a mídia exige,
Um morto-vivo;
Recuso-me,
Quero liberdade da mídia,
Da moda,
Do statu quo,
Do establishment,
Do mercado;
Quero liberdade total,
Ampla,
Geral
E irrestrita;
Quero democracia de povo cidadão,
Livre
E soberano;
E aí direi,
Desisto de desistir,
Seguirei meu caminho iluminado;
Cada pé uma lâmpada,
Uma vontade de luz de seguir em frente.

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