sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

E se espirrasse uma letra que me tirasse da sarjeta; Fênix, Contagem, 02101102011; publicado: BH, 0100102014.

E se espirrasse uma letra que me tirasse da sarjeta
E uma palavra que me determinasse
O veio da lavra de todos os metais nobres;
Uma sentença que me inspirasse a composição
Do período da perfeição e a oração que
Agradasse aos deuses; e se a poesia teimasse
Em não mais abandonar o meu coração e
Todo poema que viesse à luz de mim, fosse
Como o lírio do vale, que nem Salomão
Foi capaz de se vestir igual; e se dentro
Do meu ser fosse lugar de muitas moradas,
Cada uma com um ente mais evoluído do
Que o outro e o meu espírito lar de todos
Os espíritos harmoniosos e conhecedores
De todos os segredos da sabedora; e se
Galgasse deste mundo subterrâneo onde
Habito, saísse destas trevas para um sol,
Mesmo que fosse um sol artificial, mas que
Eu pudesse enxergar como um visionário;
E se pudesse mudar a minha mentalidade
Esquizofrênica e parasse de sofrer este
Martírio mental e não mais incorporasse
Em mim os espíritos sofredores de Arthur
Bispo do Rosário e de Lucas Ivanovitch
Furtado Medina; e se curasse dentro da
Minha alma estes sanatórios, estes hospícios,
Estes manicômios com as almas de todos
Os Lourenço dos Santos e de todos os
Loucos esquecidos pelos santos, tão loucos
Quantos esses loucos e suas loucuras; e
Se o único título de doutor que eu tivesse,
Fosse o de poeta, mesmo sem ser reconhecido
Pelas academias e por seus acadêmicos e
Que a única coisa que eu fizesse, fosse a
Coisa que ninguém mais faz: pensar; pensar
De manhã, de tarde e de noite e que todo o
Meu pensamento fosse o fruto da ciência do
Bem e do mal e que pudesse ser comido
Pelo mau e pelo bom; e que remorso
Algum sobrevivesse nos corações dos que
Provassem dos meus frutos; e que todos
Estivessem além desses sentimentos
Mesquinhos, humanos, comuns, indiferentes;
E se me desnudasse diante da humanidade
E tudo que tivesse entre mim e eu fosse
O nada e que avançasse para adiante da
Mesma maneira que nasci; e amarrasse nas
Estrelas meus balanços, meus balões, minha
Rede de dormir; e sonho, se tivesse algum,
Só o de ouvir as canções compostas pelos ventos,
Com os embalos que eles levam aos meus
Ouvidos, a fazer com que arrulhos de pombos me
Causem arrepios pela insignificância que represento.

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