segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Sozinho; BH, 02601002013.

Sozinho...
Nem a minha sombra acompanha-me,
Completamente só,
Todos voaram de mim,
Para o mais longe do além,
A embrutecer-me;

Pesado...
Sem alma,
Sem ser
E sem espírito,
Totalmente tosco;
Um toco,
Uma pedra,
Têm mais consciência;

Um rio leva mais vida,
Inda que seja temporário;
Absolutamente absorto,
Não deixo pegadas,
Pedaços de areia que caem,
O vento pulveriza;
Blocos e torrões de cinzas,
Esvoaçam,
Mas não são pássaros,
Não são aves do paraíso,
Não são Fênix
E tornam-se lágrimas de carvões;

Os gemidos que vêm do quarto negro,
São sussurros dos zumbis escondidos;
Nas penumbras todos são inexistentes,
Bate-se queixo em pleno calor;

Atrás das portas há almas penduradas nos cabides,
Seres aprisionados em quadros,
Entes encarcerados nos ladrilhos,
Tentações latejam nas paredes,
Pesadelos descem dos tetos;

Estar sozinho,
É estar solitário,
Até às raízes dos ossos;
É vislumbrar o que naturalmente,
Os olhos não enxergam

Minha avó passou ali,
Sem um dente na boca a sorrir;
Hoje todos têm dentes brancos
E não sabem sorrir;

Estar sozinho tem suas vantagens,
Ser visitado por aqueles que nos visitavam,
Quando éramos crianças,
Estar sozinho é ser criança.

Nenhum comentário:

Postar um comentário