quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Aí ai de mim malgrado meu oh céus do meu torrão; BH, 0200502000; Publicado; BH, 0150102014.

Aí ai de mim malgrado meu oh céus do meu torrão 
E que refletem as estrelas, os astros, a Lua
E de dia o Sol, que dirige o nosso destino 
E continua, mesmo depois que nós partimos;
Aí, ai de mim, malgrado meu, que valho
Mais do que o Sol? que valho mais do
Que a Lua? noite e o dia, a aurora e
A chegada das sombras vespertinas? não valho nada,
Passo e as coisas ficam aí, para desespero meu;
Meu consolo é que ficarei na minha crônica
Esquizofrenia, no meu medo e covardia;
Ficarei no meu vazio literário, no vácuo da
Minha solidão, na inexistência do
Meu ser, minha pobreza de espírito, minha alma fria;
Ficarei nos meus restos que não serão aproveitados,
Pelos vermes que nos roem na eternidade;
E se por acaso for cremado, aí então, é que
Não será aproveitado mesmo nada daquilo
Que eu não era, que não fui, que
Não sou, na mentira, na falsidade,
Na falta com a verdade, com a realidade
E a certeza sem dúvida, a hipocrisia
E a deflagração da degradação moral, da
Decomposição espiritual do fim terreal;
Não escrevo como um Prêmio Nobel de literatura,
Não escrevo como um renomado literato, um gramático
Phd, que fala com os mortos, recebe mensagens do
Além, conversa com parentes falecidos, ets desconhecidos
De discos voadores de fora do Sistema Solar;
Não tenho a tecnologia e nem o modernismo,
Não tenho o desenvolvimento e nem o progresso;
Antiquado e fora de moda, nada espero,
Que venha acontecer em mim, uma única
Qualidade que venha me livrar da mediocridade,
Que venha me livrar da falta de competência,
Perspectiva e ambição em superar os percalços
Encontrados ao longo dos caminhos suicidas surgidos;
Escrevo como um maldito perdido na multidão,
Um anônimo desprezado, ignorado e desconhecido,
Onde falta a inteligência, onda falta a menor percepção
De raciocínio e razão, onde falta tudo; e só culpo
A mim mesmo, à minha preguiça, ao meu desânimo
E à minha falta de luminosidade; não tenho luz
Própria, não tenho claridade e nem tenho
Clarividência: só obscuridade e trevas e
Sombras e penumbras e escuridão e noites eternas;
E nada sei e posso fazer para melhorar, até para
Morrer, sei que será difícil para mim, pois a
Minha preparação é infrutífera, a minha
Solução não será encontrada e não
Trarei no coração as respostas para a minha sede;
Não trarei dentro de mim, o que poderia
Dizer para proveito e salvação da espécie;
Escrevo como um cantor de rock pesado, vocifera
A sua música, os seus gritos, os seus uivos ao
Microfone, ao som das guitarras tenebrosas e distorcidas;
Como um paciente em camisa de força, que
De vez em quando se lança com a cabeça,
Contra a parede, até deixá-la manchada de
Sangue depressivo, louco, maníaco, vermelho;
O urso ferido e faminto caído na armadilha,
O lobo da estepe que não pode ver a lua cheia,
Pois nasceu cego e não pode uivar, pois não
Tem a garganta, não tem boca, não tem nem
Pele de lobo selvagem; o lobisomem da noite
A espreitar na encruzilhada, a hora incerta,
Pois nunca ataca na hora certa e nunca
Aparece na hora esperada, quando estamos
Com balas de prata, estacas de madeiras e cruzes
Para os vampiros; e todas as minhas descobertas
Não são novas e todas as minhas pérolas não
São raras e todas as minhas obras não são
Primas e todas as minhas artes não são clássicas
E nem belas; deixo que os mortos falem por mim,
Deixo que os espíritos me amparem, deixo
Que os deuses me guiem pelo monte do Olimpo.

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