domingo, 5 de janeiro de 2014

Caminho a passos largos para a morte; BH, 01001202013.

Caminho a passos largos para a morte,
Mas não caminho como caminham os altivos,
Os eretos,
Os cordados;
Caminho como o carneiro a ser imolado no altar do sacrifício,
Como o cordeiro a ser abatido com o cutelo;
Não subo os degraus do cadafalso como o fidalgo,
O nobre que não se curva,
Cheio de orgulho
E ufanismo;
E caminho a passos largos para a morte,
Como caminham os que esperam nos corredores da saúde pública;
E sou levado á força pelo tempo,
Sou arrastado,
Puxado;
Faço-me de pesado,
De lerdo,
Finjo-me que sou outro,
Que não sou o que a morte quer a caminhar em sua direção;
E a morte sente até vergonha,
Bem que poderia deixar esse trapo aí;
O que farei com esses restos?
Bem que poderia deixar esse molambo aí;
O que farei com esse farrapo?
Que utilidade terá esse tipo de alma?
Esse tipo vacilante de espírito?
Caminho a passos largos para a morte,
Mas vou como o bêbado que ainda tem que tomar a saideira
E que mesmo sem aguentar,
Implora ao dono do bar,
A última garrafa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário