quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

E vou dormir barata e acordar gente; BH, 0290402000.

E vou dormir barata e acordar gente,
Acordar homem, ser e humano;
Acordar vivo, desperto, liberto, livre e
Em liberdade, pronto para exercer,
Para fazer, para acontecer e entender;
Pronto para compreender as teorias,
As teses, os mestrados e princípios;
E não cobrarei mais de mim evolução,
Não cobrarei mais o fim dos complexos,
Fim dos medos e das covardias;
Não cobrarei mais revolução, solução,
Transformação, reforma e mudança;
Acordarei eu outro, já mudado,
Já transposto a outro plano, a
Outro organismo que até pensarei,
Que estarei vivo e que a morte, é
Apenas um detalhe que não me pegou
Desprevenido, um mero descuidado; e
Que já estava alerta, despido,
Pronto e preparado e não fui apanhado;
Fui na hora e no momento certos,
Sentir um ufanismo de mim, sentir
Frenesi revolver minhas carnes;
Um calafrio na minha pele,
Com uma erupção dos meus pelos;
E penso que não devo me
Regozijar assim, parece pieguice,
Parece fruto simplório que envergonha;
A mesquinhez é maior, não diminui,
O obstáculo cresce, a treva aumenta,
A penumbra vira precipício, vira abismo;
E não há fuga de luz pelos wormholes,
Os buracos de minhocas espaciais,
Os atalhos por onde as almas desviam-se,
Do fogo das profundezas dos infernos;
E os espíritos inteligentes não querem
Ficar perdidos no limbo e nem
A perambular pelas Vias-Lácteas e
Outras vias a trilhões de anos-luz;
O que é até relativamente perto,
A considerar-se a imensidão do infinito,
O tamanho e a emoção despendida;
Chega de peso nas entranhas,
Agonia e angústia terminais,
Fatais e letais, que destroem
Em segundos o mais equilibrado
Dos mundos, dos extremos e das
Extremidades, dos pólos e dos pontos;
E depois de toda essa volta, cheguei
À estaca zero, para dizer que se
Soubesse escrever algo, que
Emocionasse-me, que fosse emocionante,
Tal um artista gênio das letras,
Mestre das palavras, rei das frases,
Um papa dos versos e das estrofes,
O vernáculo teria mais enriquecimento;
A verborrágica teria mais tesouros,
Os vocábulos mais valores preciosos;
Porém, estou determinado a ser este
Mendigo repleto de andrajos, coberto
De chagas, com uma pedra por cima
Da inteligência e não é uma pedra
Filosofal; não é uma pedra fundamental,
É uma pedra brutal, rústica, fóssil e
Pré-histórica, feita de lava de vulcão;
E por cima da pedra, fezes, muitas fezes,
Onde, para remover a pedra,
Terei que meter a mão, mas, não
Importa, vou meter a mão, é
Necessário que remova as fezes,
Para tirar a pedra e libertar do
Peso da consciência; e para limpar,
Terei que sujar, sangrar e aí, então,
Deixar badalar a química pura,
Deixar escapar os raios de energia,
Ressurgir das cinzas desta elegia.

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