quarta-feira, 12 de junho de 2013

E só quero apenas escrever uma canção e escrever uma poesia; BH, 0110402000; Publicado: BH, 0120602013.

E só quero apenas escrever uma canção e escrever uma poesia,
Um poema, um soneto com a sabedoria do meu coração;
E só quero apenas não dizer não, escrever uma
Elegia, com a tristeza da minha solidão; e não quero
Cifras, não quero números, sofisticação, quero
Apenas imaginação, inspiração elevada, ser um
Bach, ou um Beethoven; um Mozart sobrenatural,
Um gênio da iluminação, o Alva Edison das trevas, o
Thomas da escuridão; enfim, ser irmão da humanidade,
Acabar com a fome na África e o desequilíbrio
Social no mundo; não quero nada de muito profundo,
Complexo e estrutural, de preferência simples,
Natural; sem ser simplório e piegas, hipócrita e
Demagogo, no mais, todo mundo já conhece tudo de
Mim; peço o fim da injustiça, da violência sem limite,
Prostituição e exploração sexual infantis e de
Adolescentes pobres e desprivilegiados; e pelo 
Fim de armamentos de todos os tipos e peço
Construções de hospitais e escolas e um meio
Da educação gratuita chegar a todos os níveis de
Escolas; e só quero apenas escrever uma porção de
Coisas, uma porção de cousas, de causos e de casos e
Depois perguntar a mim mesmo o que foi que
Eu acabei de escrever, por ser que nem mesmo
Sei o que escrevo e não sei em que língua escrevo;
Se é no português, ou nos dialetos africanos;
Não espero que tenha utilidade para alguém,
Não espero que a humanidade crítica aplauda,
Pois reconheço não ter a grandeza suficiente,
Para atingir as mentalidades superiores e mais
Inteligentes e sábias do que a minha;
Fico chocado à toa, igual a uma galinha choca,
Já era tempo de estar acostumado com
Todas as mazelas e as malasartes que deparamos
Todos os dias na mídia "in" e "out";
Já era tempo de não ficar mais surpreso,
De não ficar mais deprimido, com vergonha,
E com medo do futuro: sem ter escrúpulo;
Já era tempo de perder o escrúpulo, de perder
O caráter, a honra e a honestidade, tanto
Quanto a maioria de todos os nossos políticos;
Porém, continuo ainda besta e tolo e bobo e
Ainda fico preocupado e indignado com
A falta de transportes coletivos decentes e de
Graça para crianças e idosos; inda fico
Indignado com as sujeiras nas ruas, no
Senado, na câmara, no congresso, no
Governo; se é que existe governo, o que duvido e
Fico indignado com a falta de segurança;
A falta de saúde e de remédios nos portos de
Saúde públicos e até mesmo particulares;
Já era tempo de me conformar e
Deixar de uma vez por todas de ficar indignado;
Estais a ver aí e eu que só queria, juro, escrever
Uma canção, escrever uma poesia e acabou-se
A sair este emaranhado de não sei o que,
Sem pé e sem cabeça e sem membros e sem
Sexo, sem nada que seja adepto a algum
Título de definição e forma igualzinho a mim;
A algum rótulo, ou nome de significação,
De evolução, ou modernidade, transformação
Sem modernismo e consumo; revolução real,
Verdadeira e lúcida, transparente e eficaz;
É tudo de que sou capaz na minha incapacidade,
Na minha incompetência e inutilidade;
A falta de habilidade para usar as letras,
A formar palavras, frases, versos, vernáculos,
Verborrágicas, tais encontradas nos alfarrábios
Clássicos da antiguidade, nos papiros e nos
Fragmentos de pergaminhos e manuscritos,
De onde também surgiram as músicas e as
Canções tradicionais, imortais, eternas;
As óperas e operetas, peças de teatro e os reais balés;
Tenho apenas que citar, pois desenvolver à altura
Dos grandes mestres e dos grandes espíritos e cérebros,
É uma tentativa de atingir a loucura, uma tentativa vã, aquela.(1)

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