sábado, 8 de junho de 2013

Se passasse os meus curtos dias; BH, 0120102000; Publicado: BH, 080602013.

Se passasse os meus curtos dias,
A correr atrás das saias da alegria
E não teria a cultura que tenho hoje;
E me considero modestamente possuidor,
De alguma cultura geral e humana;
E dou graças a Deus pelo meu conhecimento,
Por minha sabedoria de vida e sobrevivência;
E por meu desenvolvimento pessoal e intelectual;
E dou graças a Deus mesmo, sem me envergonhar,
Por uma vez em que estava num bar, com um casal,
E a mulher preferiu o outro e preteriu a mim;
E inda falou que não sabia transar,
Que não sabia fazer amor, por ser
Muito intelectual e lido e que quem lia,
Não sabia satisfazer uma mulher na cama;
Completamente doida, tal uma outra que aconteceu antes,
Que se soubesse que fosse tão ruim assim,
Não teria nunca tentado ir para a cama,
Em companhia de tão mal fodedor;
Ambas penso que estavam com a razão,
Ambas falaram a verdade e reconheço,
Que em muitas vezes aborreci mais as mulheres,
Do que as satisfiz e penso que hoje, a
Que vive comigo, finge e mente,
E nem sei o que a mantém ao meu lado; e
Juro, porém, que não é o que vem ao caso e
O que quero mesmo é criar;
É pensar e escrever o que penso,
É me inspirar em algo e fazer poesias,
Fazer poemas e odes e elegias; e
Colaborar de alguma forma com a cultura,
Com a formação da literatura e da boa
Composição que fortalecerá e fortificará,
O complexo mental de todos que estejam
Ávidos por leitura e por criatividade;
E para mim não terá mérito maior,
O dia em que for reconhecido,
Como um componente querido do grupo,
Que realmente faz cultura e faz algo pela
Cultura aqui no coração do Brasil;
O meu maior pagamento será o reconhecimento,
As leituras dos eventos que deixo,
Para análise daqueles que se interessarem
E em corrigirem os meus erros de português,
Adaptarem as verborrágicas e os vernáculos,
Para a gramática correta e sem erros;
Pois a única coisa que realmente me
Envergonha são os erros que cometo
Nesta famigerada língua lusitana;
Que me perdoem Camões e o Fernando Pessoa,
Falo mal e porcamente e ainda escrevo
Pior e mais errado por não gostar e nem aceitar
A língua da minha colonização;
Não quero ser um novo Policarpo Quaresma,
Não quero defender a implantação do Tupi,
Mas os crimes e as covardias e as explorações,
Que os portugueses fizeram em nossas terras,
Aumentam mais ainda a abominação
E a indignação que sinto por eles; e
Sem falar na escravidão e no tráfico
De negros vindos d'África e que Portugal,
Demorou em aceitar a abolição;
E até hoje sinto que o Brasil não é meu,
Até hoje sinto que ao existir, ou não,
Tanto faz para as pessoas que ficam a saber,
Que sou um brasileiro, um cucaracha e um macaquito;
O que Portugal deveria fazer mesmo era
Devolver centavo por centavo de todo o roubo,
Tin tin por tin tin, de tudo que até hoje,
É levado do Brasil para lá;
Até hoje eles mantêm monopólios aqui,
Mantêm times de futebol e casas de festas,
E lá nunca conseguimos nada;
Somos para eles a eterna colônia,
Este é o meu nojo maior e não vejo
Porque essa idiotice de comemorar os
Quinhentos anos de descobrimento do Brasil;
Algum dinheiro alguém está a levar para
Fazer tanta propaganda e tanta ênfase numa
Festa que nada tem a ver com os brasileiros;
Quem deve comemorar e muito é Portugal,
A elite e a burguesia portuguesas que sempre
Comeram e beberam e arrotaram com as nossas riquezas;
Para mim o que quero é a independência
Desses costumes e a liberdade desses hábitos,
Que nos foram impostos e até hoje digerimos;
E é por isso que é preciso crescer,
É preciso sair deste involucro maldito,
Desta herança espúria e sem escrúpulos,
Que nos acompanham e que nos força,
A levá-los para nossos túmulos;
E é isso que quero romper,
É esse grilhão que quero quebrar;
Viver eternamente amarrado às caravelas,
Aos navios negreiros e às carnificinas,
Cometidas através da história, por
Esses que se dizem nossos descobridores, e
Se pensam no direito de nos gozarem,
De nos zombarem e rirem na nossa cara.

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