segunda-feira, 17 de junho de 2013

Llewellyn Medina, Inventário, O homem; BH, 0170602013.

O homem é sempre um ator
Tem dois lados
Duas faces
Como as ilustrações de Don Giovani.

Você olha nos seus olhos
E nunca sabe se os está fixando nos seus
Você diz uma palavra
Quando outra é que quer desprender-se do seu coração.

Por que você não diz esta,
Mas aquela?

Você não quer que suas defesas venham abaixo
E que suas vísceras sejam expostas
Permitindo aos sacerdotes
Que à vista delas façam augúrios
E prevejam o que você não quer imaginar.

O homem só faz lutar uma luta de florete
Em que não há parceiro
Mas rival
Os golpes são sempre elegantes
Um passo para a frente
Mãos nas cadeiras
Tantos passos pra trás
"Touche".

Assim parece ser a vida...
Entretanto
Vez ou outra
Você se depara com um seni-deus
Então
À vista do peito aberto
Da ausência de qualquer defesa
Você matuta:
Por que com os semi-deuses
As coisas são sempre tão difíceis?
Por que não lutam eles a luta dos mortais
Que mistificam
Dissimulam
Disfarçam
Por que você tem de olhar nos olhos do semi-deus?
Deus dele me livre para sempre
Quero ser apenas um reles humano
Esconder a face
Não revelar sentimentos
Continuar a viver esta vida inútil
E por ela ansiar ineludivelmente.

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