domingo, 10 de abril de 2011

O meu dia virou noite; RJ, 1981; Publicado: BH, 0100402011.

O meu dia virou noite
A minha vida virou
Morte a noite virou
Trevas minha morte
Virou nada pó pedras
Poeiras de corpo torto
Podre lançado no
Fundo da cova cheia
De vermes bichos
Minhocas serpentes
Sai de baixo minha
Gente que não tem
Nada a ver meu ar
Virou poluição meu
Sol virou gelo minha
Terra virou areia caí
Na solidão pulei no
Abismo do fundo do
Espaço tracei um
Traço não sei o que
Faço dei um nó cego
Na ponta do laço
Virei um bagaço
Engoli aço não virei
Nada bebi o rio a
Alma do peixe o
Milagre do sal o
Gosto do fel até que
Enfim consegui
Encontrar meu
Verdadeiro papel o
Meu que sou o meu
Ser personalizei-me
Tornei-me homem humano

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