O campo atravesando, a Morte me aparece
Com uma foice às mãos, a ceifar sua messe
Por seus ossos entrando a luz crepuscular
No ermo em que tudo parecia vacilar
Ao homem que espreitava, a foice reluzia
E nos arcos triunfais, o triunfador caía
Babilônia mudava em completa ruína,
A guilhotina em trono, em trono a guilhotina
Toda rosa em estrume, a criança em andorinha
Ouro em cinza, em torrente, os olhos da mãezinha
Que dizia, gritando: "O meu filho peder?
Pra no-lo roubar, por que deve nascer?"
Ressoava em toda terra um queixoso clamor
Saíam de enxergões crispadas mãos de dor
Nas mortalhas zunia um vento glacial
Os povos, com terror, sob a foice fatal
Era assustada grei que se esconde, indefesa
E era tudo, a seus pés, noite, pavor tristeza
Atrás dela se vê, com a fronte reluzente
As almas sobraçando, um anjo sorridente.
Março, 1854.
As Contemplações, 1856.
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