Ó choupo magro e velhinho,
Corcundinha, todo aos nós,
És tal qual meu Avôzinho:
Falta-te apenas a voz.
A sereia é muito arisca,
Pescador, que estás ao Sol:
Não cai tolinho, a essa isca...
Só pondo uma flor no anzol!
Vou encher a bilha e trago-a
Vazia como a levei!
Mondego, qu'é da tua água,
Qu'é dos prantos que eu chorei?
No Inverno não tens fadigas,
E tens água para leões!
Mondego das raparigas,
Estudantes e violões!
Teresinhas! Ursulinas!
Tardes de novenas, adeus!
Os corações às batinas
Que diriam? sabe-o Deus...
Ó bôca dos meus desejos,
Onde o padre não pôs sal,
São morangos os teus beijos,
Melhores que os do Choupal!
Manuel no Pio repoisa.
Tôdas as tardes, lá vou
Ver se quer alguma coisa,
Perguntar como passou.
Agora, são tudo amôres
À roda de mim, no Cais,
E, mal se apanhou doutôres,
Partem e não voltam mais...
Nossa Senhora faz meia
Com linha branca de luz;
O novêlo é a Lua-Cheia,
As meias são para Jesus.
Meu violão é um cortiço,
Tem por abelhas os sons,
Que fabricam, valha-me isso,
Fadinhos de mel, tão bons.
Ó Fogueiras, ó cantigas,
Saudades! recordações!
Bailai, bailai, raparigas!
Batei, batei, corações.
(Coimbra, 1890.)
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